Quando duas pessoas se conhecem elas se cumprimentam e se apresentam. Eu não estou muito afim de me apresentar. Quem sou não importa muito, em especial no mundo virtual, dentro do qual existo apenas por meio de minhas palavras.
Espero encontrar alguma materialidade por meio delas, mas não tenho muita certeza de que terei leitores para este blog.
Por que eu o faço? Por pura teimosia, creio.
Gosto de ser tagarela, mas canso os ouvidos dos meus amigos com papos metafísicos e inutilidades.
Apesar disso, domingo fui em uma palestra sobre Pietro Ubaldi. Claro que ele não me era desconhecido, mas confesso sempre ter tido preguiça de lê-lo. No entanto, neste domingo algo dele penetrou em mim, como se ressoasse com a minha alma. Certamente ressoou, pois me arrepiei inteira e quanto outros queriam dormir de tédio eu sentia que poderia chorar.
Sobre o que a palestrante falava? Sobre a queda que arrancou nossas almas de seu posto perto do pai para este mundo de matéria.
Depois disso comecei a ler. Claro que não li quase nada. No entanto nesse quase nada já encontrei algo que concorda com algo que tenho dentro do meu intimo. A ideia de trabalho.
Não vejo o paraíso como um lugar de ócio. O ócio é entediante, nos amolece e deixa carrancudos, mal humorados, chatos, arrogantes…
Quando a palestrante falou que cada um de nós teve o seu posto ao lado do pai, senti que cada um de nós tinha um trabalho. Não como concebemos o trabalho neste mundo. Mas uma função específica e que o ato em si de trabalhar era glorificante e por isso mesmo tornamo-nos ( nós a terça parte dos espíritos criados por Deus) arrogantes e caímos como estrelas cadentes, nos esfolando na densidade da atmosfera, perdendo a capacidade luminosa enquanto penetrávamos no mundo de matéria. Teimosos fechamos nossas mentes para a verdade universal e escolhemos a matéria nos achando maiores que Deus, apenas pelo fato de sermos capazes de criar. No entanto, somos criaturas feitas a imagem do pai, claro que nossas mãos seriam capazes de criar algo, mas jamais poderíamos ser maiores que o criador como bonecos de cera não são melhores que os originais, ainda que lhes copiem todos os aspectos.

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