A Saga dos Capelinos – Volume II – A Era dos Deuses – parte 01

Minha geração cresceu com histórias maravilhosas de mitologias variadas e deuses e heróis que se multiplicaram em Hqs, filmes, seriados e desenhos animados.

Muitos escritores beberam nas fontes mitológicas criando sagas com legiões de Adeptos. Os maiores adoradores de Tolkien e Marion Zimmer pertencem a minha geração que através da literatura e jogos de Rpg se apaixonaram por elfos, fadas, duendes e heróis épicos como Arthur.

O cinema e a literatura contaram e recontaram a Saga Arturiana, além de reviver os deuses gregos em filmes e seriados sobre Hercules e Ulisses.

Seriados como Stargate exploraram a ideia do “seriam os deuses astronautas” brincando com todas as mitologias.

Parece que sempre estivemos apaixonados por diversos panteões de Deuses. De onde vem essa nossa paixão mítica? Eu sempre me pergunto isso quando estou no sofá da minha sala e assisto ao seriado do canal “Historie” intitulado “Ancient Aliens”

Me encanta – não que eu acredite – a paixão dos defensores da teoria do astronauta antigo. Eles de fato pesquisam mitos e lendas por todo o globo adaptando o que encontram as suas próprias noções. Tirando o tom entusiasmado e apaixonado um fato é relevante, todas as mitologias se comunicam, como se de alguma forma se entrelaçassem. Deuses Hindus, Egípcios, Grego, Romanos, Aborigenes, e mesmo a cristandade tem tantos pontos em comum que parece ridículo que não notemos.

Devo dizer que na literatura o que mais me atrai e justamente isso, o fato de que tudo no mundo se conecta de alguma forma. Talvez por isso eu tenha me apaixonado tão avassaladora e perdidamente por literatura comprada e antropologia do imaginário. Não sou uma especialista. Não sou nem mesmo uma mestra – devia prosseguir na carreira acadêmica mas estou sempre procrastinando. – mas minhas raízes literárias  me obrigam a ler qualquer coisa já pensando em a que aquele texto se conecta.

Assim tem sido minha leitura da Saga dos Capelinos.

Claro que não estou fazendo uma análise literária propriamente dita. meus textos tem disso apenas pequenas observações.

É neste espirito que começo a falar do segundo livro da saga, intitulado “A Era dos Deuses”

No primeiro livro é semeada a ideia de que o exilio seria para os capelinos uma oportunidade de reinventar a si mesmos e os que viessem espontaneamente poderiam ser os Deuses e reis desta nova morada. Uma proposta até boa demais para ser verdade, mas que se comprova na descrição de como surge o império Sumério através de Nirmund – um capelino renascido – e entidades como Oanes – que influenciam os encarnados através de visões, incorporações e sonhos.

O que acontece é a criação de um Império baseado na desigualdade social e exploração do homem pelo homem. O sofrimento imposto pelas guerras de dominação serve de expiação para os próprios capelinos expurgarem seus pecados e obrigam os espíritos da terra a evoluir intelectualmente. Varuna – que passa a chamar-se Mykael se questiona varias vezes o quanto essa evolução intelectual é de fato oportuna se ela vem acompanhada dos péssimos exemplos morais dos capelinos.

Já neste segundo livro nosso foco de visão sai da Suméria sendo deslocado para o vale do Iterou – Nilo.

Agora a principal figura é Tajupartak um espíritos capelino das hordas de alambaques, um lugar-tenente das hordas trevosas que aceita a incumbência, por influenciação mental, levar um grupo de capelinos para o vale do Nilo, conhecido naquela época por Iterou. Este grupo deve ter pelo menos um capelino que possa agir como líder para.

A história de Tajupartak é interessante, primeiro porque ele é assumidamente um espirito obsessor. Um homem que em sua vida anterior fora o filho de um trabalhador do campo que foi usado para os prazeres de uma mulher rica e inconsequente que lhe inspirara ardente paixão. Paixão que misturada a ingenuidade e a revolta com a desigualdade social o levou a cometer duplo homicídio. Teve como consequência uma prisão e morte humilhantes. Já no plano espiritual, tomado de ódio e ira e em meio ao sofrimento de ter de lidar com os próprios atos ele decide ir no caminho contrário ao arrependimento do assassinato brutal.  Mas destruir durante séculos, sem nada construir, é desertificar a alma. E jogar areia escaldante em ferida aberta. Ano após ano, Tajupartak sentiu que naufragara no interior de si próprio.

Em sua vinda para o planeta azul, influenciando os homens, não mais a chafurdarem nos próprios crimes e pecados, mas a seguir em frente e construir algo que beneficiasse outros além de si mesmo produz grandes mudanças em Tajupartak de dentro para fora.

Ele não é forçado a ser uma pessoa melhor, ele se torna melhor sem perceber, sendo acompanhado por Kabryel, que lhe faz o convite para renascer justamente entre o povo do vale Iterou. O povo que ele vinha conduzindo para formar uma civilização prospera a exemplo do que ouve com as tribos Sumérias.

Os administradores do plano superior precisam melhorar as condições de vida das populações as margens do rio para reduzir os números da mortalidade infantil e trazer o maior numero de espíritos possível para o renascimento.

Nesta missão Tajupartak apesar de um ódio extraordinário e também mostrava possuir uma personalidade extremamente lógica, forte e incorruptível.Dentro de sua faina assassina, corruptora e má, sempre norteou-se em arruinar aqueles que tinham destruído a sua vida, ou seja, a beleza, o sexo e a riqueza. Não foi como outros de sua espécie que atacam pobres e ricos, altos e baixos, a todos indiscriminadamente. Sendo , no fundo, foi muito mais um demônio da ordem política do que qualquer outra coisa.

É interessante como este ser que por tanto tempo foi um dragão/um demônio gradativamente se converte na divindade de um grupo de exilados aparecendo em sonhos e visões como um toura alado – imagem amenizada de sua própria deformidade espiritual que segundo ele próprio seria muito mais assustadora.

Ao aceitar a proposta de renascer, Tajupartak vem ao mundo com o nome de Aha. Um homem como tantos outros, sem poderes especiais, sem força sobre humana e cuja única forma de destacar-se dos demais era sua altura dois metros e dois centímetros.

É este homem, que tem as mesmas necessidades e capacidades de seus semelhantes que dará origem a lenda do deus Rá, o primeiro no longo panteão de deuses Egípcios.

No próximo post prometo falar mais sobre o mito do deus Rá em comparação com o que é apresentado no livro.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s