Moral, ética e reflexão

Quando era criança não entendia que nem todas as pessoas tem as mesmas inquietações. Por gostar de ler muito e me apaixonar por mitologia grega entre oito e  nove anos aos 15 eu achava que ter alguma noção de filosofia fosse normal. Creio que o estudo constante na casa espírita – Grupo Espirita Regeneração – moldou um pouco esta minha visão lá se discutia ideias como a teoria da caverna de Platão com a mesma naturalidade com que algumas pessoas falam da novela das 8 ou do jogo de futebol da quarta feira.

A filosofia, a história e as religiões no geral sempre me atraíram e consequentemente me inquietaram. Mais inquietante era ver que a maioria das pessoas não tinham este sentimento de querer refletir sobre o nosso modo de encarar certo e errado, moral e imoral, fé e razão.

Fazia muito tempo que não me deparava com filosofia pura até meu irmão caçula que está fazendo Mestrado em Direito me pedir para dar uma olhada em um fichamento sobre Immanuel Kant. Um filósofo que eu conhecia apenas por alto através de alguns livros do curso de Letras. O principal deles foi o Auto de Fé de Elias Canetti. Por suas teorias a cerca da comunicação confesso que tinha uma certa resistência e até um pouco de preconceito. Mas lendo “Fundamentação da Metafísica dos Costumes” fui  obrigada a encarar suas teorias com outros olhos e acabei me apaixonando.

Kant observou “a grosso modo” que temos a tendência ver, ouvir e entender o que desejamos e não aquilo que nos é mostrado ou dito tal como é. Ideia que já era expressa – a meu ver pela Teoria da Caverna de Platão. O importe dessa ideia é que a partir dela temos a noção de que exista uma realidade pura independente da nossa interpretação, do contexto, algo que existe pelo que é, e existe uma realidade relativa, aquela que um indivíduo ou grupo de indivíduos cria para si. Esta está sujeita a interpretação, desejos, vontade, anseios, contextos. Assim divide a metafísica em duas, a metafisica da natureza e a metafisica dos costumes.

Kant vai admitir dois princípios básicos a filosofia empirista e a pura. O empirismo, baseado na experiência estaria sujeito a relativismos, interpretações e contextos, a filosofia pura estaria baseada em princípios a priori  ou seja, princípios que existem por si. Assim ele aproxima a filosofia moral à matemática e à física. Pois assim com considera-se que as relações matemáticas são puras, haveria princípios morais puros.

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