Cloud Atlas (filme) no Brasil – A Viagem

Tem dias que não temos muito o que fazer e acabamos nos acomodando na frente da televisão. Foi em um destes dias que me deparei com um estranho filme de 2012: Could Atlas. Já tinha ouvido falar deste filme, mas não tinha desperto a curiosidade.
Minha primeira impressão do filme é que se tratava de um filme estranho, com idas e vindas em épocas dispersas, mas a medida que as histórias iam se desenvolvendo intercaladas simplesmente não consegui parar  de assistir.
Não é um filme fácil, do tipo cine pipoca nem com ação acelerada e explosiva como os sucessos de bilheteria. É o tipo de filme que pede atenção redobrada aos detalhes e principalmente, nos leva a reflexões que não fazemos normalmente.
Resumo simplificado:
Cloud Atlas (no Brasil: A Viagem) é um filme de ficção científica e drama, escrito e dirigido por Andy, Lana Wachowski e Tom Tykwer.2 Foi adaptado a partir do romance de 2004 por David Mitchell.

Seguindo a cronologia.

01

1849: No Pacífico Sul, o jovem advogado Adam Ewing (Jim Sturgess) vai fechar negócios com um latifundiário (Hugh Grant). Sendo de uma sociedade escravagista ele assiste um negro ser açoitado, o mesmo negro que se esconde no navio quem ele viajará. Por solidariedade ele auxilia o negro clandestino a ser integrado a tripulação. Sendo supostamente infectado por algum tipo de verme, e será tratado pelo ardiloso médico da tripulação (Tom Hanks), que na verdade o envenena na intenção de roubar seus pertences e é salvo pelo ex escravo negro.

02

1936: O compositor bissexual Robert Frobisher (Ben Whishaw) sai da Escócia para Edimburgo a fim de trabalhar como copista de um renomado compositor (Jim Broadbent). Sua história é narrada por ele mesmo, através das epístolas que deixara para sua paixão proibida: Rufus Sixsmith (James D’Arcy). É interessante como no entrelaçar das história o personagem Robert se assemelha a Adam,  Hae-Joo e Zachry.  Enquanto trabalha para Vyvyan, Robert começa a ler a crônica do diário de Adam Ewing que ele encontra entre os livros da mansão. Ele não consegue terminar de ler e escreve em uma carta que “um livro pela metade é, afinal, um amor pela metade”. Quando Vyvyan descobre o “Sexteto Cloud Atlas” ele quer ter créditos pela obra, dizendo que é resultado de sua colaboração, e ameaça tornar público o passado escandaloso de Robert, que atira em Vyvyan e foge para um hotel. Robert finaliza o “Sexteto Cloud Atlas” e comete suicídio pouco antes de ser encontrado por seu amante, Rufus Sixsmith. A profundidade da relação deles relembra o amor de Adam pela esposa, de Hae-Joo por Sonmi e Zachry com Meronym. Relações de uma forma ou de outra permeadas pela musica composta por Robert.  

03

1973: A jornalista Luisa Rey (Halle Berry) está prestes a fazer história com a descoberta de um grande caso de corrupção corporativa. Para tal missão, ela contará com a ajuda de um funcionário da empresa acusada (Tom Hanks) e o Rufus Sixsmith da história anterior, agora um físico aposentado. O caso se passa em San Francisco.

04

2012: Passado no tempo atual, acompanhamos o editor de best-sellers Timothy Cavendish (Jim Broadbent). Ameaçado pelos credores de um mafioso que lançou um livro sob sua editoria, Timothy irá pedir ajuda para seu irmão (Hugh Grant), mas este acaba o enviando para um asilo nada convidativo.

05

2144: Na Seul futurística, acompanhamos a trama de ficção cientifica que nos apresenta uma garçonete projetada (Doona Bae), uma espécie de clone. Abalada pela vã tentativa de fuga de uma de suas colegas, ela é salva por um revolucionário da União (Jim Sturgess). Uma vez fora do sistema prisional em que vivia, ela irá se juntar aos revolucionários para expor os males do regime totalitário em que o mundo está inserido. De quebra, irá se apaixonar pelo seu libertador. Se na primeira história a ideia de escravidão nos incomoda ela não choca por tratar-se de uma trama no passado e o passado por si só serve de “desculpa” para a barbárie, mas a escravidão das clones em um futuro tão tecnológico torna-se chocante pelo contraste entre o alto desenvolvimento intelectual que parece acompanhado de uma regressão moral. O amor entre a clone e o humano nascido se torna a síntese de todos os romances inter-raciais da história em especial por ser permeado com mais intensidade pelo som do “Sexteto Cloud Atlas”. Sonmi passa uma mensagem libertária de amor que revela o mesmo grito contido de igualdade e compaixão que encontramos nas histórias anteriores, como um clímax contra a ganancia e egoísmo humanos. A brandura dela vai ecoar nas gerações futuras devastadas pelas guerras.

06

2321: Na Havaí pós-apocalíptica, um membro de uma simples comunidade tribal, Zachry (Tom Hanks), sofre com a perseguição de bárbaros que pretendem saquear a vila em que vive. Após ver familiares sendo assassinados e estar constantemente tendo visões de um leprechaun maligno (Hugo Weaving), ele conhecerá Meronym (Halle Berry), membro de uma civilização avançada que pretende salvar a humanidade. O interessante desde arco é que ele se mostra uma consequências tanto dos atos egoístas da humanidade quanto das ações da doce Sonmi que é reverenciada como uma Deusa por seu manifesto de amor, liberdade e solidariedade. Mensagem que contrasta com o ambiente selvagem que a terra se tornou. A história deixa claro que a queda moral dos homens intelectualmente evoluídos leva a uma regressão social e tecnológica. Os humanos se veem agora despojados não só dos confortos da modernidade mas do conhecimento em uma era brutal. Zachry atormentando por George representa o homem lutando contra seus instintos básicos de auto preservação e egoísmo. George pode ser interpretado como demônios interiores, a estagnação conformista, ou ainda como um espírito obsessor ou um Demônio – no sentindo religioso. A vitória de Zachry contra a criatura que só ele vê é uma vitória contra si mesmo como se o personagem exorcizasse de seu espírito a primeira imagem que tivemos de Tom Hanks quando ele era o médico que envenenava Adam em 1849. A ligação entre os personagens é reforçada pela aparição do mesmo botão que Adam usava no primeiro quadro do filme.

Se a história de Sonmi é o clímax a de Zachry vem como o fechamento do ciclo.

 

Elenco[editar | editar código-fonte]

Ator “The Pacific Journal of Adam Ewing” (1849) “Letters from Zedelghem” (1936) “Half-Lives: The First Luisa Rey Mystery” (1973) “The Ghastly Ordeal of Timothy Cavendish” (2012) “An Orison of Sonmi~451” (2144) “Sloosha’s Crossin’ an’ Ev’rythin’ After” (2321)
Tom Hanks Dr. Henry Goose Gerente do hotel Isaac Sachs Dermot Hoggins Ator interpretando Cavendish Zachry
Halle Berry Nativa Jocasta Ayrs Luisa Rey Indiana na festa Ovid Meronym
Jim Broadbent Capitão Molyneux Vyvyan Ayrs Timothy Cavendish Músico Coreano Prescient 2
Hugo Weaving Haskell Moore Tadeusz Kesselring Bill Smoke Enfermeira Noakes Mephi Velho Georgie
Jim Sturgess Adam Ewing Hóspede do hotel Pai de Megan Highlander Hae-Joo Chang Adam / cunhado de Zachry
Doona Bae Tilda Ewing Mãe de Megan, Mexicana Sonmi~451, Sonmi~351, prostituta Sonmi
Ben Whishaw Marinheiro Robert Frobisher Balconista Georgette Membro da tribo
James D’Arcy Rufus Sixsmith novo Rufus Sixsmith velho Enfermeira James Arquivista
Zhou Xun Talbot / Gerente do Hotel Yoona~939 Rose
Keith David Kupaka Joe Napier An-kor Apis Prescient
David Gyasi Autua Lester Rey Duophysite
Susan Sarandon Madame Horrox Ursula idosa Yosouf Suleiman Abbess
Hugh Grant Rev. Giles Horrox Hotel Heavy Lloyd Hooks Denholme Cavendish Seer Rhee Chefe Kona

 

 

Este post nem arranhou toda a superfície deste filme que com certeza quero ver novamente. Há ainda muitas questões a serem exploradas que dariam ainda uma boa meia dúzia de resenhas. Um dos pontos que não posso deixar de ver é a semelhança com a história que estou lendo “A Saga dos Capelinos” cujas resenhas ainda não terminei de postar.

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