Esta manhã comecei meu dia com a leitura de um artigo sobre feministas x liberais – sem citar nomes – relatando o incidente entre um professor dito “Liberal” e uma aluna dita “feminista”. Honestamente eu acredito que as pessoas tenham direito a opinião e a defender e expor seu ponto de vista, seja por mais lógico u descabido que seja. No entanto alguns absurdos realmente me deixam embasbacada.

O primeiro absurdo é o da intolerância. – não gosto de piadas sexistas, não acho que mulheres sejam de algum modo inferiores ou superiores aos homens. Mas reconheço a validade de alguns argumentos, de fato a revolução sexual não trouxe só benefícios para as mulheres. Somos otárias de não perceber que ela não veio acompanhada de revolução no modo de educar os filhos do sexo masculino.

As mesmas mulheres que dizem que fazer sexo quando tem vontade é uma evolução social, que ser “vadia” não no sentido de puta, mas no sentido ser dona do próprio corpo é aquela que não educa seu filho homem para ajudar nas tarefas de casa, nem ensina o jovem adolescente a respeitar as namoradas ou possíveis parceiras sexuais. A instituição familiar está desvalorizada, temos homens que aos 40 ainda se comportam como adolescentes não só porque as mulheres fazem sexo quando tem vontade, mas porque quando o Feminismo “libertou” a mulher do julgo do marido ele não veio acompanhado do fato de que deveríamos parar de criar filhos homens como se fossem o centro do universo familiar recebendo tudo (roupa limpa, comida na mesa, cama feita) sem esforço. Eles crescem, descobrem o sexo com todas as facilidades da modernidade e como não foram ensinados a ter respeito pela mulher como individuo se tornam homens imaturos e incapazes de compromisso pulando de galho em galho.

Se são machistas, nem sempre. São frutos de uma sociedade que não encontrou um caminho fora dos extremos pregados pelo machismo e o feminismo.

O feminismo em seus extremos minou a estrutura familiar, mas o machismo também ao não enxergar a mulher como parceira e não posse/empregada.

Somos frutos de uma sociedade patriarcal que não entendeu a luta das primeiras feministas – que estas sim lutaram por respeito e igualdade, e distorcemos as noções para extremos nocivos. Somos filhos de pais e mães que ensinam aos filhos que devem ser pegadores e transar até com urubu voado senão não é macho e filhas que sonham com o príncipe encantado que seja ao mesmo tempo o provedor dos tempos da vovó e liberal respeitando os direitos recém adquiridos, mas que tem dificuldade em lidar com esse homem descompromissado que só enxerga o que temos entre as pernas.

Faz poucos dias estive conversando com um amigo Basco, como um homem próprio de sua etnia ele é daqueles tipos grandes que até assustam um pouco comparado com a altura média e o tipo físico do brasileiro. Na terra dele as mulheres já superaram muitos desafios com relação a igualdade dos sexos e os discursos ditos feministas já não tem o tom que encontramos aqui. Lá a luta da igualdade foi além de ter o direito de vestir-se como quiser sem ser tratada como objeto puta, ou vitima de estupro. Lá os homens são educados para dividir as tarefas domésticas. Eles lavam, passam e cozinham sem achar que isso os torne menos homens, são considerados preguiçosos se não ajudam com as tarefas do lar e desde cedo são ensinados que mesmo que sexo seja bom família é fundamental.

Me parece que em nossa briga sobre quem pode mais homem ou mulher nos esquecemos que extremismos não nos levam a lugar nenhum. Sim precisamos de preservar a estrutura familiar, e sim o modo como ela era 20,30,40 anos atrás estava errada. O homem não é dono da mulher e dos filhos e bem como não é obrigado a ficar casado para dar satisfação a sociedade, o mesmo vale para a mulher, ela pode ser tão agende de uma separação quanto o homem seja por insatisfação, por desamor ou seja lá o que. A nova estrutura familiar para funcionar não pode ser patriarcal ou matriarcal, mas baseada em companheirismo. O companheirismo só pode ocorrer entre partes que se respeitam. Temos muito o que evoluir social e moralmente para chegar a este ponto. Até lá creio que ainda veremos muito picuinhas dos dois lados.

No caso professor x aula que vi esta manhã, não consigo encontrar alguém que esteja certo, ambos tem uma parcela de razão em seu discurso e ambos caem em ataques despropositados um ao outro usando a desculpa de direitismo politico, esquerdismo, liberalismo e sexismo.

Ataques que investigam a vida pessoal de outrem (seja homem ou mulher) que vasculhem fotos de facebook em busca de munição me parecem menos validos do que a solução do problema por meios legais. Se o tal professor quer processar que processe, se houve discriminação sexual em sala de aula ou não, se houve favorecimento do tal professor em processo seletivo ou não com certeza há provas disto. Temos um medo absurdo da palavra processo sem saber o que ele significa. Se usássemos mais o aparato legal para resolver estes litígios ao invés das guerras virtuais em blogs e redes sociais estaríamos talvez mais próximos da realidade desejada na marcha das “vadias” respeito pelo que somos e não baseado no fato de termos seios mais desenvolvidos e não ter pênis.

O aparato legal existe para que não incorramos na selvageria, delimita os direitos de um e de outro e principalmente abre precedentes para casos semelhantes. Temos o péssimo de gritar insatisfação aos plenos pulmões e não tomar providencias concretas e isto acaba contribuindo para o pensamento geral de que discriminação sexual seja de homem contra mulher ou vice e versa.

Se desejamos igualdade que não façamos disso uma parede contra as responsabilidades, mas uma luta como um todo. Os homens já crescidos não vão abandonar o ranço de uma criação que lhes permite tudo só porque assim queremos. São os jovens que devem ser educados a ser menos garanhões e mais companheiros.

No passado a mulher era educada para casar e sedimentar a família, hoje não temos lastros. Homens e mulheres desta nova geração devem construir uma nova estrutura familiar não mais sedimentada na submissão feminina, mas na parceria ou continuaremos com os mesmos problemas de agressões sexuais contra as mulheres. Não isento a parcela feminina de responsabilidade pois como já disse a mesma que é liberal sexualmente na balada é machista na hora de criar os filhos. Assim nada vai mudar.

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