Bom dia!

Ontem a noite li um livro pequenininho que achei no site “Le Livros” Chama-se “Gênesis” do autor Bernard Beckett. Em formato Epub para ser lido no programa Aldico não deu mais que 99 paginas. O interessante deste livro é o tema “O que realmente significa ser humano”

O autor escolhe como forma de narrativa principalmente o dialogo permitindo uma narração dentro da narração com duas histórias se desenrolando simultaneamente. Uma é a da nossa protagonista imediata Anaximandra que defende uma tese de história para uma banca, e o outro é Adam – o objeto de estudo. Uma sacada de mestre do autor é em momento algum descrever fisicamente nossa protagonista nos deixando imaginá-la como qualquer adolescente criativa e ativa em busca de um caminho no mundo, em seu caso o mundo acadêmico.

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A personagem Anaximandra se desenvolve por meio dos diálogos nos apresentando uma personalidade mais humana e cativante que qualquer outro personagem. Nós caminhamos junto com sua defesa em oposição a frieza do ambiente, da banca examinadora, das distopias por ela descritas. Junto com Anaximandra também nos encantamos por Adam, um suposto herói que teria se recusado a matar uma refugiada nas margens de sua cidade – como era ensinado até então – e este feito o coloca frente a frente com Art, uma inteligencia artificial que precisa de uma companhia humana para se desenvolver.

O cruzamento das duas histórias cria um final surpreendente e até certo ponto chocante.

Quanto mais leio sobre estas distopias de futuros pós apocalípticos mais observo um segundo tema recorrente além do infortúnio em si, é a falta de solidariedade que pauta tanto o “Apocalipse” que anteceda tais histórias e a repetição superlativa desta hibris nas sociedades distópicas. – Traduzindo: Os desejos de vingança, o desamor ao próximo, o egoísmo que acabam pautando tanto as relações politicas e sociais criando sociedade de dominadores e dominados fatalmente leva a guerras que quase eliminam a humanidade e a miséria gerada por esta destruição cria comunidades de sobreviventes ainda mais egoístas e dispares incapazes de reconhecer que cometem o mesmo erro que levou a aniquilação inicial.

O que eu achei legal neste livro é a mudança de foco. O autor não se prende a narrativa de guerras ou destruição em massa, quando a história começa tudo já aconteceu. Assim o autor prefere fazer um exame filosófico da comunidade surgida logo após o tal Armagedom e seu declínio e enquanto a personagem principal tece suas criticas tentamos imaginar que tipo de sociedade teria surgido após este declínio. Uma pergunta intrigante respondida por uma única ação do tutor de Anaximandra, Pericles, uma ação extremamente eloquente que nos faz ficar de boca aberta.

O livro nos instiga a uma série de questionamentos a cerca dos pensamentos filosóficos que norteiam a sociedade ocidental.

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