Livros espiritas

A Saga dos Capelinos – Volume 04 – Os Patriarcas de Yahveh

Bom dia!

Já faz um bom tempo que venho falar de livros. Hoje voltei com o volume 4 da Saga dos Capelinos-   Os Patriarcas de YahvehOutro livro de que gostei bastante. Mais uma vez a saga nos trás um novo olhar sobre as histórias que moldaram a civilização ocidental.

Acredito que a verdade sobre o que teria acontecido nos primórdios da nossa civilização esteja para sempre enterrada no passado, pois cada pesquisador, filósofo, arqueólogo, teólogo etc que tentar juntar as peças irá contar a história a sua maneira. Apesar disso cada versão da história nos enriquece um pouco e nos ajuda a olhar melhor não para o passado, mas para nós mesmos.

Querendo ou não nenhuma outra organização social nos influenciou mais – no que tange a valores éticos, morais e religiosos que a judaico-cristã. Sua influencia é muito mais direta que a de qualquer outra no entanto quantos de nós teve curiosidade de pesquisar um pouco além do que diz a Bíblia tradicional. Sejamos espirita, católicos, evangélicos… a grande verdade é que a maioria de nós é preguiçosa e gosta de pensar dentro da caixinha. Desde que o Cristianismo se tornou a religião oficial do império romano este livro tão interessante já teve diversas versões e traduções diferentes. Considerando o fascínio que temos pelo misterioso e pelo místico é justo pensar que houve alterações retóricas ao logo do tempo para enfatizar este ou aquele aspecto da doutrina.

O que eu achei legal na narrativa de os Os Patriarcas de Yahveh foi humanizar figuras que para nós são míticas e surreais dentro do velho testamento.

Sempre tive um fascínio pelo velho testamento, em especial pelo fato de ele apresentar uma receita de estrutura social que se fosse seguido a risca certamente teria dado origem a uma sociedade mais justa e com menos desigualdades.

Minha família é de origem católica e espirita de modo que na minha infância havia uma linda Bíblia no escritório lá de casa. Era daquelas grandes de encadernação negra capa dura escrita com letras douradas. Dentro as paginas eram do chamado papel bíblia, um papel não muito fino, macio e lustroso, as letras bem desenhadas e em cada livro ilustrações de pintores famosos, copias de afrescos de igrejas no vaticano. O interessante é que por mais que fosse um livro bonito e atraente não me lembro de ninguém em casa manuseando ele. Ficava meses e meses aberto no salmo 23, tanto que a página ficou encardida e empoeirada. O problema desta linda tradução da bíblia era a linguagem, o tempo muda, as sociedades mudam, mas a bíblia tradicional continua com uma tradução em linguagem rebuscada e seca.

Neste ponto um homem visionário foi Martinho Lutero, me admira que poucos evangélicos aqui no Brasil saibam sobre a trajetória dele. Assim como Francisco de Assis ele foi um revolucionário pois ele acreditou que o conhecimento não devia ficar trancado, mas que devia ser distribuído e por isso traduziu a Bíblia  para a língua popular do seu país.

Agora o que isso tem haver com o livro Os Patriarcas de Yahveh?

Muita coisa. Enquanto na nossa Bíblia temos um mítico Abraão que é muito mais um arquétipo – um modelo/padrão de comportamento neste livro temos uma humanização do personagem e de sua trajetória. Humanização esta que o aproxima mais  do leitor, fazendo com que caminhe junto com ele em sua jornada de aperfeiçoamento e nos permite ver o surgimento da adoração a Yahveh como mecanismo de progresso tanto para o indivíduo, mas progresso da sociedade e demonstra de como o estabelecimento do monoteísmo foi importante para o desenvolvimento da sociedade como conhecemos hoje.

O monoteísmo historicamente permitiu a unificação de valores sociais, políticos e morais em oposição ao politeísmo antes reinante que permitia um relaxamento de valores, pois a pessoa podia escolher adorar a divindade que mais se adaptasse aos seus anseios ou cujos rituais favorecessem seus desejos. O advento do Deus único vai exigir uma mudança, não é mais o caráter do deus que se adapta ao homem, mas o homem passa a se adaptar as prerrogativas divinas.

 Yahveh originalmente era uma figura vingativa, o que está em acordo com as versões mais antigas do velho testamento e os textos judaicos – devemos largar de ser arrogantes e reconhecer que nossa Bíblia é sim em boa parte cópia dos textos dos judeus de modo que a sociedade cristã é filha da judaica. Yahveh era literalmente o Deus da vingança, tendo sido ligado a questões de justiça desde os primórdios.

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