Durante  leitura dos textos do “Curso de prevenção do uso de drogas” me deparei com um gráfico bastante interessante. drogas

O  que mais me chamou a atenção no gráfico foi situar a escola não apenas como espaço físico – muros paredes e salas de aula, mas como “logos social”

Temos tratado a escola como uma instituição isolada do resto da comunidade. Os moradores dos bairros em torno das unidades escolares não sabem o que está acontecendo lá dentro, quais suas reais necessidades, suas conquistas. Temos feiras pedagógicas cuja participação dos pais é ínfima e festas juninas cuja caracterização cultural deu lugar para a venda de “comidas típicas” para arrecadar uma merreca para alguma coisa na escola.

Não há aquele prazer ou sensação de pertencimento que leva as pessoas a quererem participar e mesmo preservar a escola. Buscar parceiros para a escola dentro da comunidade é ao mesmo tempo envolver a comunidade na construção do ambiente escolar e para isso é preciso abrir as portas e agir com transparência.

Desde que saí da sala de aula e vim para um cargo administrativo tenho visto que o maior medo de muitos gestores – mesmo aqueles que fazem o melhor possível – é a transparência. Está arraigado na nossa cultura o medo da prestação de contas, seja ela monetária ou não.

Me lembro que uma coisa que me deixou muito feliz foi depois de muito tempo na educação ter trabalhado em uma escola cujo PPP foi apresentado diretamente aos pais, sem rodeios ou firulas expondo os ganhos e projetos da escola da forma mais crua e simples possível. O efeito disso na comunidade foi uma participação muito mais efetiva dos pais no dia a dia da escola. È sabido que toda unidade escolar tem seu Projeto Politico Pedagógico – e que uma vez no ano pelo menos, convoca os pais dos alunos para expor este PPP, mas normalmente esta exposição é vazia seja de significado ou da presença da comunidade ou de ambos. Esta prestação de contas antecipada é uma faca de dois gumes para escola e pais – a escola se desnuda e abre espaço para os pais cobrarem o que foi prometido, se inteirarem das deficiências físicas ou financeiras da escola, opinarem na metodologia da avaliação de seus filhos, por outro lado a escola deixa os pais de alunos cientes não apenas de suas regras, mas de como serão aplicadas e dos direitos e responsabilidades deles próprios e de seus filhos.

Nós brasileiros não somos muito bons em lidar com a relação direito e dever/responsabilidade. Devido a cultura de medias paternalistas e populistas que permeiam nossa política queremos sempre receber muitos mais do que dar. Os pais estarem cientes de que seus filhos tem responsabilidade por sua frequência, atenção, esforço e participação obriga estes mesmos pais a serem mais atentos aos comportamentos – se o filho estuda em casa, se faz tarefas, se tem dificuldades… e nem todos os pais estão dispostos.

Outra coisa de que sempre me deixou intrigada é o fato de sendo a escola uma versão em miniatura da nossa sociedade, com todos os seus conflitos, e mais, os conflitos da adolescência como nossa cultura não contempla um espaço fixo para um assistente social e um psicólogo na unidade escolar.

Nós professores nos deparamos com diversas situações que escapam ao nosso controle. É lindo falar em projetos, integração escola/comunidade, mas há situações em que os jovens precisam de mais do que o conselho de um professor. Eles precisam de orientação especializada, professores podem identificar problemas na família, mas não são capazes de ser “orientadores integrais” isto é função de um psicólogo. Um ou dois períodos de psicologia na universidade não faz do educador um especialista, dá apenas noções básicas.

A escola deveria ter um espaço, uma pessoa especializada que estivesse a disposição do aluno pelo menos dois turnos – matutino e vespertino. Uma porta sempre aberta para um grito de socorro seja ele para um caso de abuso, bullying ou só as “crises” normais da adolescência.

Somos professores, mas não podemos carregar o mundo nas costas, nem assumir todas as responsabilidades, em especial quando tratamos da psique de um jovem. Por mais que tenhamos boa vontade nos falta tempo e especialização para certos tipos de problemas. Somos mediadores de conhecimento não tábua de salvação da sociedade. Precisamos de colaboradores para que nosso trabalho atinja o efeito esperado.

Além do mais como pode uma sociedade que nos despojou de todo respeito, amor próprio, e orgulho de classe querer que a tiremos do atoleiro de seus problemas sozinhos?

Se queremos integrar a escola a comunidade devemos integrar a comunidade a escola.

Se você gostou do post e conseguiu ler até aqui seria legal se pudesse responder as perguntas abaixo.

Na sua comunidade quem são as pessoas/instituições mais próximas da escola, com quem a unidade escolar pode contar? – estas pessoas são representadas pelo circulo azul no gráfico.

Quais são as /instituições que são importantes para a escola, mas com menor grau de compromisso e que não estão tão próximas? – elas seriam equivalentes ao circulo rosa.

Quais as pessoas/instituições que você considera parte das relações
da escola, mas que estão distantes da vida da escola, constituindo um conjunto de relações ocasionais  esporádicas? – este seria o circulo verde.

O circulo pontilhado representa as pessoas/instituições que você considera excluídas das relações da escola.

Observe que os círculos são divididos em quatro quadrantes. Cada um corresponde a uma área da vida da escola: a família, a comunidade, a assistência/segurança e a saúde. Como você acha que sua escola se saiu?

 

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