Acho que todo mundo viu ontem no jornal o caso do ex-médico Roger Abdelmassih, preso no Paraguai na semana passada. O que me deixa mais chocada é que quando pensamos em “médico” a primeira coisa que se vem a cabeça é confiança, afinal de todos os profissionais ele é o que trata da nossa saúde e da nossa vida. Nós, mulheres, vivemos em uma sociedade ainda patriarcal e machista, para a qual nosso corpo ainda é visto como objeto de prazer, muitos ainda subestimam nossa inteligencia e capacidades, mas esperamos que o profissional que cuida da nossa saúde esteja livre destes preconceitos, afinal nos desnudamos para ele emocional e fisicamente. Esta confiança é redobrada quando tratamos do assunto fertilidade.

Quando uma mulher busca ter filhos por meio de uma fertilização in vitro são diversos os fatores psicológicos envolvidos gerando uma serie de conflitos internos. A mulher na nossa sociedade ainda é vista como uma reprodutora, havendo preconceito contra aquelas que não querem ou não conseguem ter filhos. Não são poucos os casais que se afastam devido ao desejo “egocêntrico” de criar apenas um filho que tenha o seu sangue, como se sangue fosse o único definidor de laços afetivos. O tipo de pressão que uma mulher com dificuldades de ter filhos sofre, seja da família, do marido, da sociedade e/ou de si mesma é quase esmagador então quando se coloca nas mãos de um profissional que promete realizar o seu desejo a relação de confiança e mesmo de subordinação é muito intensa.

Me deixa horrorizada que haja pessoas capazes de se aproveitar desta situação para cometer crimes sexuais. O estupro é uma monstruosidade por si só, mas o estupro nestes casos se torna ainda mais animalesco.

Não acredito que este homem que vivia como um rei tenha sido ajudado por “Amigos”, e não acredito que seus crimes sejam apenas os de estupro de pacientes, pois alguém capaz do que ele fez pode estar envolvido em coisas muito piores. Além disso as pessoas não são “boazinhas” ninguém ajuda um foragido enviando milhões e milhões sem ter o rabo preso.

Não duvido de crimes ainda mais hediondos envolvendo estes supostos “Amigos”

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