A Saga dos Capelinos Volume 05 – O Enviado de Yahveh – parte I

O Enviado de Yahveh foi um dos livros da saga que eu mais gostei. Isso porque sempre Moisés é uma figura bastante conhecida no velho testamento, seja em filmes , peças de teatro, cultos. Sua imagem é quase tão mítica como Isis e Osiris e o cânone atual sustenta a ideia de que teria sido “achado” por uma princesa boiando em seus banhos durante um suposto massacre de crianças hebreias e que a princesa tomada de amor pela criança o cria como se fosse seu filho.

Os estudiosos e arqueólogos estudando as tradições egípcias por meio do legado que nos deixaram seja em papiros, hieroglifos na pedra/argila etc jamais sustentaram as bases do velho testamento sobre a escravidão dos hebreus no Egito bem como o suposto nascimento mítico de Moisés e as pragas atribuídas a fúria de Deus – em especial a morte dos primogênitos.

Confesso que há muitos filmes muito bem feitos sobre a vida de Moisés, mas sempre houve uma lacuna entre o Moisés mítico e a saída real dos hebreus do Egito. É neste ponto que O Enviado de Yahveh captura o leitor. Nosso Moisés é muito diferente a ao mesmo tempo guarda muitas semelhanças com o Ahmose. Entre as diferenças marcantes está a origem, filho da princesa com um amante ilícito ele cresce como um bastardo. A mãe nunca pode assumi-lo completamente e isso tem impacto em sua juventude. Além disso na juventude além de inteligente além da média é impulsivo não tendo vocação para a vida de sacerdote no modelo kemetense(egípcio) como queria o avô para se livrar do embaraço. Ao encontramos um adolescente com seus desejos e frustrações, buscando seu lugar no mundo ele se torna mais plausível e humano.

Outro ponto importante é o mecanismo espiritual que situa Ahmose em uma posição que é ao mesmo tempo privilegiada e desconfortável dentro das eleítes do Egito. Sendo descendente do faraó ele é um filho ilegitimo da filha preferida do monarca, sendo assim ele nunca chega a ter uma posição de cortesão. Como a mãe não pode assumi-lo oficialmente pois seria um atentado a honra do faraó inventa-se uma história de que seria filho de uma criada que morrera no parto e que por caridade a princesa o adotara. Pare quem conhece a narrativa bíblica ele faz exatamente o caminho contrário do Moisés mítico.

Por seu temperamento por volta dos 20 anos teve um sério entrevero com outro jovem, este de nascimento nobre que o insultou mencionando a duvidosa paternidade e por isso Ahmose o surrou impiedosamente.  O jovem recorreu ao pai – general exigindo punição para Ahmose, que já era um incomodo para o faraó desde o nascimento. O faraó no entanto não tinha intenção de fazer mal ao neto bastardo cujo único obstaculo para o amor que nutria pelo jovem era justamente o nascimento ilegitimo e seu temperamento insolente.

Levado pelo amor e pela parcela de culpa na bastardia no neto o Faraó Ramassu lhe conta sobre o fato de ser de fato filho da princesa Thermutis e um príncipe de terra estrangeira chamado Jetur, mas exige que o rapaz jamais o revele a ninguém e que deixe a capital, sendo livre para se casar com quem desejar e viver onde bem entender dando ao neto largos recursos para viver bem.

A magoa de sua bastardia rapidamente o afasta da mãe a julgado enganadora e libertina. Neste período de afastamento emocional entre  Thermutis e o filho ela encontra companheirismo e amor em Uneg que passa a ver Ahmose como um obstaculo ao relacionamento. Por sugestão de Uneg Ahomose se arma de coragem para viajar tendo como destino Sydom, terra agora governada por seu pai.

Para tristeza de Ahmose em Sydom, Jethur nutre mais desconfiança quanto aos motivos da visita do filho bastardo do que afeto, não havendo afinidade entre eles o jovem parte para conhecer outros lugares.

O lugar que mais afetara Ahmose não foi a terra de seu pai, mas a Babilônia onde conheceu um sacerdote de nome Antromapael que se enatara com sua figura, fortalecia pela travessia do deserto.

Antromapael não era homossexual no sentindo físico, tendo se apaixonado por Ahomse a ponto de fazer todas as suas vontades, mas sem contato físico. Foi com Antromapael que descobriu as portas da mediunidade, passando a ver espíritos fossem eles desencarnados vindo dar consolo aos entes queridos ou espíritos trevosos  em busca de vingança, saldo de dividas etc.

Como discípulo de amigo de Antromapael viveu alguns anos na Babilônia até o sacerdote, apesar do afeto que sentia o instigou a partir afirmando que Ahmose tinha uma missão revelada pelos Deuses. Seu destino seguinte foi Ur. No templo compartilhando a vida monástica teve seu primeiro contato com o trabalho caridoso aliviando a dor dos outros. No entanto seus talentos, em especial em manipular as energias curadoras atraíram a inveja de outros monges e para não ser morto precisou fugir.

Foi em Ur como discípulo de Ninatur que Ahmose descobriu a fé, não a fé em Deuses múltiplos, mas no conceito de um Deus criador, bem como o conhecimento sobre as diversas esferas espirituais. Parte da dureza, insolência e violência que fizeram parte de seu caráter em muito se abrandaram com seu treinamento monástico que de mais a mais testava os limites físicos e mentais, bem como incluíam o trabalho de amor ao próximo.

Gosto desta imagem de Ahmose/Moisés pois ele amadurece por esforço próprio. Ainda que tenha nascido como um missionário cujo dever era congregar uma nação verdadeiramente monoteísta ele não nasce pronto para a missão. As primeiras décadas de sua vida ajudam no seu crescimento moral e espiritual lhe aparando diversas arestas que o teriam tornado um tirano. Mesmo a consciência espiritual não lhe vem fácil, ele precisa procurar por ela tendo já passado dos seus 20 anos quando de fato começa a comunicar-se com o plano superior.

É interessante como ele não recebe instruções diretas do plano espiritual, mas trilha seu caminho gozando de livre arbítrio e exposto aos mesmo intemperes e tentações de todos os homens de sua época. Ahmose/Moisés é aqui apresentando mais como pessoa e menos como fantoche no palco da evolução. A todo momento ele tem opções e escolhas podendo ter encontrado a vocação sacerdotal no próprio Kemet, mas resistente a doutrina como era imposta não conseguia imaginar uma divindade presente, poderia sucumbido ao egoismo dos primeiros anos de sua vida, mas soube canalizar suas energias. Poderia ter se entregado ao sexo, como lhe fora sugerido por Uneg, opções não lhe faltariam se tivesse viajado pelo destino por ele proposto.

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