Bom dia!

Hoje queria falar um pouquinho de questões afetivas. Acho que acordei inspirada por esse clima mais fresco – que na minha sala não costuma durar muito – por isso melhor aproveitar.

Quantas pessoas você conhece que se mantém numa relação só para não ficarem sozinhas? Só para dizer “Tenho um homem”? Ou para ter um companheiro na cama?  Não vou dizer que não sejam motivos validos, afinal só quem já sentiu solidão sabe o quanto dói, mas ainda acho que é muito pouco para aceitar “Qualquer um.” Já ouvi muitas amigas e colegas – na educação tem muito – dizerem “Ele é um oportunista mas eu o amo.” “Ele me trai, mas eu perdoo porque amo.” “Se eu o deixar vou ficar sozinha”, mas olhando para os meus próprios relacionamentos eu não consigo deixar de pensar que o amor não vem de fora e cai sobre a gente, ele é construído. Em outras palavras ESCOLHEMOS SIM QUEM AMAMOS.

Digo isto porque amar alguém é um processo mental. Quando conhecemos alguém podemos nos sentir atraídas pela lei da afinidade, por questões fisiológicas, porque a pessoa tem um bom papo… são os mais diversos motivo, mas atração não é amor nem paixão. Atração é o primeiro passo para escolhermos se vamos ou não pensar um pouco mais naquela pessoa. Nós acostumamos nosso cérebro a pensar em alguém e as reações positivas geradas pela afinidade seja emocional ou sexual reforçam a repetição do pensamento com uma sensação boa – (aconchego ou tesão ou ambos). Muitas vezes o estar apaixonado é mais importante para a pessoa do que a relação em si pois as sensações que experimentamos fisicamente são sempre intensas e boas.

Todos nós temos “barreiras de proteção” Muitas vezes expressas objetivamente como o ideal de parceiro o parceira que desejamos. Claro que não existe isso de companheiro ideal (perfeito), mas as “barreiras de proteção” são uma forma de nos ajudar a filtrar entre todos os homens por quem nos sentimos atraídos aqueles que realmente merecem o afeto que somos capazes de dedicar. A medida que um relacionamento vai ultrapassando as “barreiras/idealizações” é que vai sendo construído o chamado amor. É neste ponto que muitas de nós “colocamos os carros na frente dos bois” Ao invés de darmos ouvidos a nossa intuição queremos o resultado logo e pulamos etapas na construção de um relacionamento. Derrubamos as “barreiras” e oferecemos nossos sentimentos muitas vezes a quem não merece.

Muitas de nós – especialmente professoras – temos a necessidade afetiva de um companheiro para dividir o fardo que é nossa rotina.

Leitoras não estou sendo preconceituosa com a minha classe, muito pelo contrário, o que eu vejo são grandes mulheres que dedicam mais de 40 horas por semana para turmas de 40 alunos e é um trabalho desgastante física e emocionalmente. É um trabalho que exige dedicação dentro e fora da escola, horas de sono trocada por correção de atividades, fins de semana trabalhando ao invés de namorar, preocupar com os problemas emocionais de jovens que não são nossos filhos. Tudo isso gera um desgaste, uma necessidade de aconchego para repor as energias, alguém para dividir as angustias. Então muitas vezes nos tornamos vitimas fáceis das nossas necessidades e para aproveitar o momento ignoramos nossas barreiras de proteção.

Sejamos honestas, não é todo homem que está disposto a aceitar uma mulher que tenha a rotina de uma professora, não é uma profissão respeitada ou valorizada e nem bem paga de modo que a dedicação que exige é mal vista por muitos homens. Homens são criaturas carentes por natureza e não gostam de dividir muito do tempo da companheira com outras pessoas ou atividades. A desvalorização profissional muitas vezes leva a uma desvalorização pessoal e isto conduz a relacionamentos por carência e transformar carência em amor é como tentar tapar um abismo com colheres de areia.

Diante de todo este quadro acredito que muitas de nós precisamos redescobrir nosso valor e aprender que ter um homem em casa nem sempre é ter um companheiro. Companheirismo cresce por meio do respeito e da divisão não só das alegrias, mas também das responsabilidades. Relacionamentos devem ser uma via de mão dupla e não um constante dar sem receber.

Eu peço a quem ler este post, não pense que estar sozinha seja ruim e dê ouvidos a sua intuição, muitas vezes aquela sensação de que algo está errado no relacionamento seja o sinal de que “aquele homem” não é exatamente o que parece. Não temos “Filtros afetivos” por nada. As nossas chamadas “barreiras” aliadas a “intuição” servem para balancear as emoções e atração física e nos permitir encontrar entre as diversas pessoas aquela que mais se afiniza conosco. Abrir mão da nossa intuição e segurar um relacionamento que nos massacra e nos dar menos do que merecemos.

O amor que dedicas a alguém não vem de fora. Não é imposto a nós, é um presente que damos e ele nasce da nossa vontade. No entanto, depois que oferecemos este presente da alma, se o fazemos para que não o merece a dor de não ser correspondido ou ser usado é muito grande. Sei que não podemos nos preservar de todas as dores do mundo, mas podemos tentar não oferecer o que temos de melhor em nossa alma a primeira vista só porque parece que o tempo está passando e achamos que o relógio biológico está atrasado.

Que tentemos usar nossos filtros afetivos para encontrar alguém que também esteja disposto a oferecer a dádiva do amor ao invés de apenas receber como um parasita. Não estou dizendo para procurar um príncipe encantado, mas para termos altas expectativas. Nossa sociedade de sexto fácil e mulheres que sustentam a casa está criando um contingente de homens inúteis que estão mais interessados em prazer do que esforço então é preciso separar o joio do trigo.

 

 

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