Cá estou eu novamente!

Agora para falar da divisão entre trabalho, lazer e estudo. Nossa cultura foi alicerçada antropologicamente para separar estas três coisas em compartimentos completamente distintos. Por nossa herança como colônia de exploração e por nosso passado altamente escravista os preconceitos com relação ao trabalho se arraigaram a tal ponto de nosso subconsciente, geração após geração, registras os signos, símbolos e ações ligadas ao mundo do trabalho como algo ruim e até mesmo punitivo.

Se o trabalho é algo penoso, o estudo acaba por tabela sendo estigmatizado com algo cansativo e aprisionante também, principalmente porque ele quase sempre está relacionado ao universo do trabalho. Na nossa cultura o cidadão médio não lê por curiosidade ou pelo prazer da leitura, lê porque a escola obriga, ou o trabalho obriga. A maior parte da população não tem habito de acompanhar jornais e revistas. Com o advento dos jornais televisivos, twitter e agora do facebook tornou-se fácil ficar atualizado sem se precisar ler.

Assim deixamos o campo do lazer separado destas duas atividades e o lazer se torna algo potencializador de catarse. Mas é possível ter prazer no trabalho e mesmo no estudo. Não é uma proposta pedagógica que vai magicamente criar alunos felizes e interessados. É uma grande mudança de atitude que vai trazer essa transformação. A mudança de atitude começa quando o ato de aprender deixa de ser uma simples obrigação sendo compreendido como parte integrante da vida e estando associado a todos os setores, incluindo o afetivo. Aprendemos a todo instante desde antes de sair do ventre de nossas mães e somos agentes da construção de uma infinidade de conhecimentos, no entanto quando colocamos o nosso pé na escola deixamos de ser agentes para ser pacientes. Queremos que o conhecimento entre magicamente em nossas cabeças. Não é bem assim que a coisa funciona.

A inserção das novas tecnologias na nossa vida, para diversas profissões, apagou a linha divisória entre trabalho e vida pessoal ou trabalho e estudo. Um dos profissionais que mais vivência isto é o professor. Ele está navegando na internet e vendo um tema que seria uma aula legal sobre linguagem enquanto curte uma charge no Facebook que foi postada por um aluno. Uma semana depois aquela charge é uma questão de prova que abrange temas como metáfora…

A vida moderna exige uma extraordinária competência referente a leitura e compreensão de textos sejam eles grafados em língua escrita ou textos imagéticos (fotos, ppts, videos) no entanto somos um país de péssimos leitores e a grande maioria da população não apreendendo mais do que a camada superficial dos textos que le nos diversos meios de comunicação, perdendo grande parte do significado daquilo que passam para frente nas redes sociais.

Vivemos o problema do analfabetismo funcional. As pessoas sabem decodificar as letras, conseguem formular frases, mas na hora de interpretar criticamente o que lêem e ouvem surge um abismo silencioso e frio.

Anúncios