Ontem fui escalada para ajudar na coordenação da aplicação de algumas provas, e neste caso coordenar foi chegar na escola, entregar as provas lacradas para os aplicadores e ficar sentada em uma mesa, em uma sala vazia esperando caso houvesse algum problema nas salas – como não houve problemas ficar sozinha nas longas horas da aplicação de provas teria sido um tédio só se meu abençoado celular não baixasse livros.

O livro da vez foi o Coração de Tinta de Cornelia Funke. Lembro de ter visto filme alguns anos atrás e ter achado até meio chatinho, mas me aventurei pelas linhas bem escritas do livro e me surpreendi com a qualidade da narrativa e em como os personagens são carismáticos, em especial quando comparados com sua versão cinematográfica.

Mo e sua filha são inteligentes, espertos, amorosos e evoluem ao longo da trama. A trama tem dois pontos muito positivos, o primeiro é a história que se desconstrói dentro da história. (spoiler) A história gira em torno de Mo (Mortimer) que tem o “poder” de dar vida aos personagens dos livros que lê em voz alta. Um dia lendo para sua filha de 3 anos da vida aos vilões do livro e ao mesmo tempo perde sua esposa, tento passado os anos seguintes fugindo destes vilões e de seu próprio talento.

A filha de Mo, esperta e inteligente é que nos guia na jornada para desvendar a trama, na qual os personagens do livro “Coração de tinta” além de não querer voltar para o livro de origem (ao que pare um livro de muitos personagens interessantes, mas de trama boba ) bem como querem roubar riquezas de outros livros usando o talento de Mo. Os vilões são personagens simples e rasos deixando foco narrativo para os dilemas dos heróis e tornando a trama bem polarizada. Bem e mal são bem definidos, sem nuances de cinza.

O segundo ponto positivo em minha opinião é a riqueza literária  que vem por meio das referencias abertas e veladas. Como livro infantil é uma importante porta de entrada para conhecer ou revisitar diversa obras clássicas.

Se não fossemos um país de leitores semi-analfabetos seria uma boa indicação de leitura para a faixa de 9 a 13 anos.

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