Um breve comentário sobre novelas de Cavalaria

Quem me conhece sabe que sou apaixonada por literatura desde que fui capaz de ouvir a primeira história da minha infância. Uma as coisas que encantaram minha adolescência foram as novelas de cavalaria. Quem nunca foi fã de Rei Arthur? Ou cobiçou o poder de Morgana? Até hoje a leitura das novelas de cavalaria do ciclo arthuriano influenciam meu gosto literário.

Hoje revendo meus certificados das minhas graduações encontrei uma antiga atividade na qual discorria sobre a relação da “Távola Redonda” com o Militarismo, Estratégias Militares e divisões Políticas da época. Foi uma atividade avaliativa das aulas de literatura inglesa e que me deu muito prazer em fazer.

Vamos ao texto:

O surgimento das histórias do rei Arthur está situado no período de decadência do império Romano. Este período é marcado também pelo surgimento do feudalismo que se caracterizou por ser um modo de organização social e politico baseado nas relações sociais servo-contratuais (servis) Predominou na sociedade feudal a divisão em três estamentos (grupos sociais fixos): o Lord, a nobreza, os camponeses e os vassalos. Este modelo social apresentava pouca ascensão social e quase não existia mobilidade social (a Igreja foi a principal forma de promoção social)

O clero tinha como função oficial rezar, porém, na prática exercia grande poder politico sobre a sociedade, bastante religiosa,  na qual o conceito de separação entre religião e Estado (religião e política) era desconhecido. Mantinham a ordem da sociedade evitando, por meio de persuasão(muitas vezes física) e criação de justificativas religiosas. A nobreza (também chamados de senhores feudais) tinham como principal função guerrear, além de exercer considerável poder político sobre as demais classes. O Rei lhes cedia terras e estes lhe juravam ajuda militar (relações de soberania e vassalagem. Os servos da gleba constituíam a maior parte da população camponesa, eles eram presos à terra e sofriam intensa exploração, eram obrigados a pagar tributos em troca da permissão de uso da terra e de proteção militar. Os vassalos oferecem ao senhor, ou suserano fidelidade e trabalho em troca de proteção e um lugar no sistema de produção. As redes de vassalagem estendiam-se por várias regiões, sendo o rei o suserano mais poderoso.

O ciclo de novelas de cavalaria que chamamos de ciclo arthuriano é uma foram mais romântica e utópica de ver um sistema que na realidade foi brutal sob muitos aspectos.

Neste contexto as lendas do Rei Arthur que ao ganhar importância evolui passando pela mão de escritores que buscam um mito de um herói que possa legitimar as relações de poder da monarquia, bem como  do clero sobre as religiões que existiam antes do cristianismo. Assim a figura de Arthur passa de guerreiro para rei guerreiro cuja origem remontaria a linhagem de Uther, rei bretão. Sua ligação com o mistico ver com a ascendência materna “Igraine” figura mítica relacionada com a ilha das maçãs “Avalon”

Segundo diversas fontes “Igraine” seria umas das nove sacerdotizas que habitariam uma terra mítica conhecida como “Terra do Verão” mais tarde “Ilha as maçãs” e posteriormente “Avalon” Sendo aproveitada como peça importante de escritures mais contemporâneos como Marion Zimmer Bernard Cornwell. 

Nas novelas tradicionais o surgimento da corte do Rei Arthur marca a legitimação das relações de suserania e vassalagem impostas pela cavalaria. (Tão criticada por Miguel de Cervantes) Os nobres sentam à mesa antes devem provar antes todos os valores de um cavaleiro: honra, lealdade, justiça, humildade, coragem.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s