Leitura de hoje – Poética clássica- Parte Aristóteles

Eu li a poética clássica faz um longo tempo, quando era calouro na UFG. Hoje parece que foi na pré história da minha vida. Por alguns motivos acabem me vendo na posição de reler.

Tantos anos depois ainda há um grande prazer em pegar o texto. Agora não é mais o prazer da descoberta dos conceitos, do conhecer os filósofos que antes me eram distantes. Agora é o prazer nostálgico de redescobrir as bases que me fizerem desejar mais ardentemente escrever textos e criar personagens. O prazer voluptuoso de ver com outros olhos o texto e a mim mesma.

Algumas releituras tem esse poder magico de descristalizar conceitos e nos fazer repensar nossa própria filosofia.

Acredito que de tempos em tempos devamos revisitar nossas bases. Reler os textos que foram alicerces da nossa formação para não corrermos o risco de nos tornarmos criaturas enrijecidas em nossas próprias idéias. Não há nada mais triste que uma mente que seja incapaz de repensar a si mesma e que aristotelesdesigualdadese perde nas mesmas ideias ao logo das décadas. Não somos seres estáticos. Somos seres dinâmicos dotados de razão.

Vamos ao texto em si. 

Conceito de imitação: A poética de Aristóteles começa com a ideia de que a arte imita. Mas imita o que? A resposta mais obvia seria a natureza. Mas se pensarmos bem, para as artes o conceito de natureza – hoje – seja bastante amplo. natureza como meio, árvores, pedras, rios, céu… natureza humana – amor, ódio, desespero… Natureza mítica, natureza religiosa….

Me lembro de acalorados debates na minha classe de teoria da Literatura I – Com a professora Zênia (uma mulher elegantíssima) sobre a função da arte e se ela deveria imitar a natureza com a fidelidade ou se a imitação tinha o direito de ter seus limites ampliados pela criatividade e principalmente se algo como criatividade realmente existe.

Afinal onde fica a criatividade se a arte é obra da imitação?

A meu ver fica no modo de enxergar a natureza a ser imitada. Há forma objetiva, subjetiva e artística de se representar a natureza a nossa volta. A forma artística, a meu ver, é aquela que reúne qualidades objetivas e subjetivas de forma a encantar o publico alvo da obra.

Aristóteles logo de cara separa duas formas artísticas fazendo juiz de valor – tragédia e comédia. Considerando uma imitação de seres superiores e outra de seres inferiores ( ou características inferiores ) sabemos que o original é grego então vai saber como é a cabeça de quem traduziu. kkkkk e como não leio nem falo grego antigo….

È interessante como nós seres humanos temos a tendência de tomar a reflexão de outras pessoas como verdade absoluta. Por Aristóteles ter “feito” essa divisão por muito tempo diversos “teóricos” abominavam qualquer coisa que fugisse dessa classificação.

Coloco teóricos entre aspas porque para mim um verdadeiro teórico, um estudioso não pode se prender

nao tem nada haver, mas eu quis quebrar a serieadade do post

não tem nada haver, mas eu quis quebrar a seriedade do post

a verdades absolutas ditadas por outras pessoas em detrimento da própria capacidade de observação. Nenhum teórico é detentor da verdade absoluta e cada geração tem seu próprio olhar para o mundo e para as “naturezas” deste mundo.

Acredito que pensadores como Aristóteles abriram a cortina para a reflexão e deram um sólido norte, mas que seus textos não são bíblias e que tomar suas reflexões sobre a arte de seu tempo como verdade absoluta é preguiça de pensar. Com as inevitáveis mudanças nas sociedades é impossível que a arte seja visa e produzida da mesma forma a cada geração. Diferente do que pode ocorrer nas ciências exatas em que uma soma ou teorema são o que são a arte sempre contará com o fator objetivo/subjetivo de seu tempo.

Como eu disse, as reflexões Aristotélicas nos dão um solido norte em, por exemplo, diferenciar na representação: meios, objetos e maneira.

A meu ver, diferentes do que discorrem muitos puristas, os limites que separam comédia e tragédia para Aristóteles não eram tão restritivamente rígidos. Especialmente quando ele mesmo admite na cultura grega obras que possuem ambos elementos.

 

 

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