Sem amor somos uma concha vazia,

apenas existindo através das eras

apenas suportando o peso da eternidade

apenas vagando de sombra em sombra

a sombra dos que viveram e partem para outros planos de existência

Sem amor existimos – sem conhecer o calor e o aconchego

sem compreender realmente a angustia dos que deixam o mundo dos vivos ainda agarrando-se a matéria e debatendo-se contra as infinitas possibilidades do espírito.

Existi por mais tempo que é capaz de compreender a frágil memória humana

vi o nascer e morrer de estrelas, mundos, galáxias

diante do universo as vidas humanas são luzes delicadas e frágeis que duram menos que um instante

Amei

amei um único e fulgurante instante e foi o bastante por toda a eternidade

amei uma estrela de brilho raro

e pelo delicado fruto deste amor um dia desistirei até de mim mesmo

e creio que isto também seja amor – um amor ainda mais puro e luminoso

Amarei minha criança

para além da eternidade

sem arrependimentos

 

A ela ofereço minha existência

minha alma

minha alegria

e quando minha jornada chegar ao fim eu também atravessarei as fronteiras do mundo para além dos do domínios da matéria

entrarei no domínio das almas

em paz

 

 

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