Tem alguns livros que mexem de verdade com a gente, que nos fazem viajar para um mundo fora do nosso ou/e que nos fazem refletir sobre a nossa realidade .

Está cada vez mais difícil encontrar livros que tenham de fato este poder atemporal, mas eles existem.

Este ano foi de muita leitura pop – aqueles livros que são bons para ler uma única vez, ou que não são bons de jeito nenhum, mas estão no caminho e a gente acaba lendo por ler.

Hoje não quero falar destes livros que passaram por mim, quero falar dos que cedo ou tarde vou acabar relendo e que vou indicar de boca cheia.

imagesO primeiro da minha lista de 2015 é ““A revolta de Atlas”?

Já fiz dois posts sobre este livro. A verdade é que ele mexeu mesmo comigo, emocional e intelectualmente. Isso porque vivemos um memento de crise moral e financeira em nosso querido Brasil. Estamos em meio a instabilidade política e apesar de parecermos adultos nos comportamos como crianças que precisam ser conduzidas pela mão quando se trata de politica e direitos e deveres individuais e coletivos.

“A revolta de Atlas” na primeira metade me deixou indignada porque acredito em amor ao próximo e em solidariedade, e a ideologia parece remar contra essa maré. No entanto se prestar bem atenção às personagens não é bem isso. Há uma diferença entre ajudar o próximo e praticas populistas para manter o povo na ignorância.

Estamos em meio a criticas de práticas como o bolsa família e precisamos sim perguntar até que ponto tais práticas são saudáveis. O livro prega extremos por ter como base a ideologia da não intervenção do estado e por supervalorizar a livre iniciativa. Mas, apesar dos extremos as reflexões que suscita são incrivelmente validas para a nossa sociedade.

Não sou uma entendia política, NÃO SOU PETISTA, NÃO SOU APOIADORA DA DILMA, mas, ler este livro que é tão avesso a muitas de nossas práticas, sou obrigada a olhar mais friamente para a nossa realidade. NÃO EXISTE VARINHA MÁGICA PARA A SITUAÇÃO SÓCIO ECONÔMICA E NÃO EXISTE POLITICO O PARTIDO, QUE ARRANCANDO DILMA DO PODER, VÁ RESOLVER MILAGROSAMENTE NOSSOS PROBLEMAS ECONÔMICOS E SOCIAIS.

O livro retrata uma sociedade corroída pela corrupção que se veste de assistencialismmo e suga até a ultima gota das forças produtivas levando as mentes pensantes, as pessoas empreendedoras, os cientistas que são a mola motriz da sociedade a se rebelarem e deixar o mundo ao Deusdará. Sem mentes empreendedoras os parasitas que alimentavam-se do lucro alheio se vem devorando uns aos outros até o colapso social.

Nossa sociedade também está corroída pela corrupção, mas diferente da ficção nós não temos a opção de John Galt vir “roubar” nossos talentos.

Estamos as voltas do escândalo da Petrobrás e muitos outros tipos de corrupção ativa e passiva, sofremos os efeitos desse escoadouro de dinheiro que produz obras publicas ineficazes, asfaltos que precisam ser remendados mensalmente, hospitais que não atendem a demandas, escolas que não ensinam – consequentemente universidades que não investem em pesquisa e tecnologia. Em um circulo vicioso no qual o cidadão não aprende a fazer o seu melhor sempre, mas que é preciso lucrar mais com o mínimo esforço, fazer o que dá e não o de melhor qualidade.

Se o cidadão comum pensa que deve-se sempre lucrar o máximo com o mínimo esforço esta será a mentalidade dos nossos governantes, afinal pertencem a mesma sociedade com a mesma ideologia, só que aplicada em esfera maior esta ideologia corrói a sociedade ao invés de faze-la avançar.

““A revolta de Atlas”” Nos faz pensar nestas questões que no dia a dia não significam nada para nós, mas deveriam significar.

O único jeito de sair dessa crise é uma reforma moral em todas as instâncias da sociedade. Não adianta fazer panelaço, e continuar furando fila, comprando no mercado paralelo, pirateando música, aceitando “levar vantagem.” Essa é a diferença crucial entre o Brasil e a Suíça.

Acredito que não adianta trocar 6 por meia dúzia. Estes movimentos de fora Dilma, mais atrapalham que ajuda. As eleições já passaram e fizemos nossa escolha. Agora nos resta exigir que os escolhidos façam jus a seus mandatos.

Outra coisa, a OPOSIÇÃO DE MERDA QUE FINGE TER VALORES NOBRES E NA VERDADE SÓ QUER SEU LUGAR AO SOL DEVERIA PARAR DE INSUFLAR A MASSA MENOS ESCLARECIDA E CUMPRI SUA OBRIGAÇÃO QUE É FISCALIZAR O GOVERNO ATUAL E LUTAR PARA QUE OS PROJETOS UTEIS A SOCIEDADE SEJAM IMPLEMENTADOS.

ESTA OPOSIÇÃO QUE FICA ARROTANDO impeachment DEVERIA ESTAR LUTANDO PARA REAVER O DINHEIRO QUE JÁ FOI APURADO COMO DESVIADO. Esse dinheiro iria aquecer nossa economia e tapar os buracos deixados por este que é o mais hediondo dos crimes.

Acredito sim que CORRUPÇÃO SEJA UM CRIME HEDIONDO. É assassinato com requintes de crueldade, pois tira o dinheiro que iria para salvar vidas nos hospitais públicos, que pagaria policiais civis e militares para fazer a nossa segurança, dinheiro que nas nossas escolas serviriam para formar um cidadão de bem reduzindo a violência na sociedade. Se tudo isso funcionasse bem a economia cresceria por si só, porque pessoas mais bem instruídas, que buscam fazer o melhor por si mesmas são por natureza empreendedoras.

Não espero a sociedade utópica de John Galt, mas espero que refletindo sobre as idéias que ele apresenta e nossa sociedade que o leitor encontre sua própria ética e seu próprio modo de ser melhor por si mesmo. Acho que este seria o grande mérito do livro, atingir o cerne do leitor e fazê-lo desejar ser melhor tanto quanto quer uma sociedade melhor.

Baixar-Livro-Proibido-Tabitha-Suzuma-em-PDF-ePub-e-Mobi-370x532O segundo livro que me marcou este ano foi “Proibido”

Não consegui fazer uma resenha sobre ele porque assim como quase TODO MUNDO tenho minhas convicções moais e sociais bastante arraigadas. O livro é uma historia de amor, mas também é uma história de incesto. Tenho irmão e pensar que uma mulher possa ver o irmão como homem e vice e versa me parece complemente ilógico. Meu cérebro não processa algo assim como possível fora da ficção, no entanto o livro trata o tema com poética leveza quase removendo a linha do impossível.

Sei que há relatos sobre isso ao longo da história da humanidade, mas meu cérebro não consegue processar algo assim como real.

Agora, dentro do universo da ficção o livro é incrivelmente bem escrito, coerente, coeso. Os personagens são absolutamente apaixonantes em suas imperfeições e por isso caminhamos e sofremos junto com eles. Amargamos o final inevitável com o mesmo sentimento que ambos sentindo que a injustiça das leis só agrava um sofrimento que já os tortura até o limite de suas personalidades.

Eu super indico este livro, mas admito que ele não é para qualquer pessoa.

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