Diário de um boneco de posto – 1

Boneco-de-PostoQuerido diário hoje decidi abandonar a inércia da minha vida.

Mas o que é a vida de um boneco de posto?

Descobri hoje ao me matricular em uma aula de zumba. Enquanto os outros, em maior ou menor grau de eficiência, moviam-se ao ritmo da música imitando os passos do instrutor eu me vi movendo-me descoordenadamente exatamente como quando o ar passa inflando minha existência.

Descobri que a grande verdade é que jamais tive domínio sobre o meu corpo, e tinha apenas uma consciência parcial a cerca disso.

Me ver o espelho incapaz de seguir o fluxo dos movimentos me fez finalmente ver o que os anos de timidez e autorrepressão me fizeram.

Tentar dançar de frente para um espelho fui forçada a ver-me em minha totalidade. Braços e pernas descoordenados, cintura dura, quadris – que quadris? Os movimentos mais básicos que mesmo uma criança faria me eram complexos.

Um boneco de posto tem seus pés fincados no chão, movendo-se ao sabor do vento – sem noção da própria inercia, sem controle sobre si mesmo.

Dançar é conhecer o próprio corpo e descobrir o prazer de mover-se, compreender a extensão dos próprios movimentos.

Neste sentido, para alguém como eu dançar é uma luta selvagem contra mim mesma em busca do domínio do meu corpo e em busca de um mínimo de coordenação motora.

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