Hoje estou inspirada – cheia de pensamentos fervilhando.

Outro tema que tem rondando minha linda – atualmente ruiva – cabecinha é a questão das privatizações.

Eu acredito que toda história tem dois lados – NÃO SOU GOVERNISTA, NEM APOIO MARCONI E NEM DILMA – só para constar.

Mas tento ser racional.

Ser racional é colocar de lado meus sentimentos – sejam bons ou ruins e tentar ver o que ganhamos e perdemos em cada situação.

No caso de Goiás. – Critica-se muito a utilização das OS – propostas para saúde e educação. Um dos argumentos é que “Um empresário/administrador” não teria competência para gerir estas pastas. Diante deste argumento eu grito PÁRA O MUNDO QUE QUERO DESCER. È um argumento no mínimo idiota. Um administrador serve para gerir/gerenciar/administrar e se não é competente para isso é qualquer coisa menos administrador.

Outro argumento – empresários só visão os lucros. Entendo que desde Marx a palavra lucro foi demonizada como o câncer da sociedade. Vamos com calma aí. Lucro não é um demônio chifrudo com cascos de cavalo e rabo. È uma consequência natural de determinados setores da sociedade e é a mola que move o nosso mundo. O problema está na forma do lucro.

Nenhum empreendimento que não gere benefício merece sobreviver. O benefício é o lucro. Existem dois tipos de lucro nesta equação que devem ser observados. O Benefício social ou lucro da sociedade e o benefício financeiro e nem sempre estas duas coisas precisam andar separadas.

Temos uma mentalidade pequena de que merecemos tudo na mão sem fazer esforço algum. NÃO EXISTE SOCIEDADE IGUALITÁRIA EM QUE SE RECEBA SEM TRABALHAR, QUE SE VIVA DE SEGURO DESEMPREGO OU BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS SEM TER CONTRIBUÍDO PARA ISSO.

Vamos falar um pouco do que está mais perto de mim, as escolas. O modelo de gestão que temos hoje é bom e eficiente? Ele atende a todas as demandas? Nossos jovens de escolas estaduais são tão bem preparados quando os jovens de escolas particulares? A resposta é um sonoro NÃO.  Então sim, é válido buscar novos modelos de gestão. A proposta das OS não veio do nada, ela veio de uma necessidade social Precisamos melhorar a educação e o modelo público não está funcionando.

Como isto vai funcionar? – Fazer esta pergunta é mais importante do que se colocar contra logo de cara.

Estamos vivendo um momento importantíssimo. Com tantos escândalos de corrupção e desvios de dinheiro por todo o país, crise nacional e estadual que a sugestão de um novo modelo de administração abre espaço para nós buscarmos de fato por melhorias.

Uma coisa é fato, o modelo de gestão privado funciona e é eficiente, SE, e SOMENTE SE – as OS nos trouxerem a eficiência do modelo privado a sociedade vai lucrar.

Nós Brasileiros temos que parar de pensar no EU e pensar em NÓS como sociedade e começar a buscar por ganhos coletivos a médio e longo prazo e é por este prisma que temos que analisar a proposta, bem como devemos analisar que tipo de pessoas estão se colocando contra ela.

Muitas vezes conhecer o histórico de quem se opõe a determinada ideia, quem vai ganhar e quem vai perder com ela nos ajuda a determinar a validade da mesma. Nós temos o péssimo habito de correr para as ruas e fazer panelaço baseados na opinião dos outros, porque ler um projeto, tentar saber a verdade sobre algo dá muito trabalho. Se alguém nos diz que um direito nosso está sendo tirado nos armados com unhas e dentes ao invés de ir conferir se isto é verdade mesmo.

Sou servidora publica, sim eu tenho medo das OS, não sei se sairão o papel, como vão funcionar, se haverá espaço para mim neste novo modelo, mas apesar do meu medo eu quero uma oportunidade de conhecer a proposta antes de me colocar contra ou a favor.

Falando em conhecer as verdades pela metade outro caso que me chamou a atenção foi o ESTARDALHAÇO QUE FIZERAM COM AS MUDANÇAS NO SEGURO DESEMPREGO.

Estas eu vi, e honestamente acho que foram poucas em face do que precisamos de verdade. Explico – Conheço gente que vive de seguro desemprego. Pessoas que trabalham de carteira assinada só o período mínimo para receber o benefício então forçam a barra para serem mandados embora. Onde vi isso acontecer – Setor Varejista, Empresas de call center, supermercados, domésticas – o problema está em todas as camadas sociais. Tem Pobre de pé rachado e tem classe média que diz – vou parar de trabalhar porque com o seguro desemprego posso descansar e viajar. O seguro desemprego é um direito que o TRABALHADOR HONESTO tem quando perde o emprego, ele serve para esse profissional se manter até conseguir outra colocação ou para se aprimorar (fazer um curso por exemplo) para retornar ao mercado de trabalho. Mas tem gente – E MUITA GENTE – Que trata como férias remuneradas.

JÁ PENSOU EM QUEM PAGA O PATO? O cara que trabalho só o período mínimo não contribuiu o suficiente para ficar recebendo por 4 ou seis meses sem trabalhar. Então o dinheiro que ele está usando é o meu e o seu. Isso mesmo. Eu e você que trabalhamos de verdade, que nos mantemos no emprego por anos, que pagamos nossos impostos estamos pagando para um/uma infeliz qualquer ficar de quatro a seis meses de féria remuneradas.

ESTAMOS RECLAMANDO DOS ALTOS IMPOSTOS QUE PAGAMOS, QUE TRABALHAMOS MESES PARA O GOVERNO, MAS BRIGAMOS PELO DIREITO DO NOSSO DINHEIRO IR PELO RALO JÁ E QUE E VOCÊ NÃO RECORREMOS AO SEGURO PERIODICAMENTE.

Devíamos estar fiscalizando o uso dos nossos impostos a cada passo do processo. – Aí voltamos para as OS, privatizações e similares.

Por que pagamos IPVA, Emplacamento, Dpvat? Não é pelo direito de transitar com nosso veículo por ruas e estradas em condições decentes? Então porque deve pagar também pelo pedágio. OU um ou outro. Se a estrada é privatizada o estado não tem mais o ônus de cuidar dela, mas continua cobrando por ela no meu imposto. Ninguém questiona isso. Mas critica a reforma no seguro desemprego. – Estranho né.  Se o governo não vai ter custo com aquela estrada privatizada e eu pago pedágio o certo não seria aquele valor ser descontado no meu imposto? Não vi nenhum panelaço sobre isso. Nenhum marcha, parada ou seja lá o que for. Muita gente chiou, mas deixou rolar.

Ainda sobre as privatizações, – privatizar gera receita momentânea – tapa o buraco do governo, mas e depois, quando aquele dinheiro acabar o buraco volta  e ainda pior

Hora de termos um pouco mais de consciência e atentarmos para a lógica – ou optamos por impostos altos e fiscalizamos o uso de cada centavos ou dividimos o ônus de alguns serviços com iniciativa privada.

Privatizar sem reduzir a carga tributária é pegar a galinha dos ovos de ouro, abrir ao meio, retirar tudo e jogar sua carcaça morta no meio da estrada. – Aliás o que temos feito desde sempre.

Nosso modelo atual de gestão – Federal, Estadual e municipal – é um saco sem fundos – Com nossa mentalidade (do pobre ao rico) de levar vantagem em tudo o dinheiro dos impostos vai se perdendo pelos bolsos no caminho. O desvio de verbas não começa no alto escalão, mas se torna mais revoltante lá. Um politico que rouba milhões não é mais nem menos  ladrão que o cara que rouba uma resma de papel no local de trabalho. A diferença é que o roubo de milhões implica em hospitais menos equipados, policiais mal pagos, menos policiamento e consequentemente em mortes por doenças que podiam ser combatidas e pela violência.

Cito como violência não sol o assalto, o assassinato, o estupro – mas também a violência de ser encarcerado em uma gaiola com outros marginais sem um plano de reeducação.

Neste sentido eu acredito que um pouco da mentalidade da iniciativa privada não nos faria mal. Um presidio que visasse o lucro colocaria seus homens para trabalhar, transformaria o ócio dos presos em produtividade e geração de renda – e respeitados os direitos humanos – o trabalho e a educação dignificam o homem.

Uma mentalidade privada nas escolas primaria pela meritocracia. A escola publica não é uma escola de graça como muitos pensam. Pagamos, e pagamos caro pelas escolas na forma dos nossos impostos, e desejamos que ela dê lucros na forma de ensino de qualidade. Mas a gestão dos recursos que oferecemos – impostos não faz jus aos resultados que precisamos dessa escola. Precisamos sim de administradores qualificados para atualizar o nosso modelo educacional. O lucro – nem sempre financeiro – move o mundo. Mas o lucro depende de eficiência e honestidade senão deixa de ser ganho social e vira resultado de extorsão.

Estamos em um momento social que precisamos escolher entre ser honesto x a corrupção do dia a dia (furar fila, dar um jeitinho, fazer um gato, fazer um agrado para levar vantagem). Precisamos escolher entre a inércia alienada x tomar as rédeas da sociedade. Precisamos escolher entre tomar decisões x continuar permitindo que as mídias, as propagandas e as oligarquias escolham por nós.

Quando vamos em uma passeata pró Aécio estamos tomando nossas decisões ou estamos seguindo a orientação de alguém que contou uma meia verdade que não tivemos tempo, paciência e/ou vontade de conferir?

 

 

Anúncios