Comunidade sustentável de casas de baixo custo cultiva arte, agricultura e educação

Sua ideia foi construir uma comunidade baseada em princípios simples e essenciais, como a agricultura, a arte, a educação e a saúde. Uma verdadeira utopia arquitetônica, econômica e ecológica. O casal então se juntou com alunos da universidade de arquitetura de Auburn, participantes do projeto Rural Studio, para realizar esse sonho. A exigência prévia foi de que as casas custassem somente até 20 mil dólares.

Fonte: Comunidade sustentável de casas de baixo custo cultiva arte, agricultura e educação

Meu comentário –

Nossa cultura em muitos aspectos é pautada por dois extremos o primeiro é o da necessidade e o segundo da ostentação. Dentro desta perspectiva paradoxal nos acostumamos a ver certos trabalhos como inferiores, embora sejam fundamentais para o desenvolvimento econômico social da sociedade como um todo. Pedreiro, servente, pintor, carpinteiro são tratados como trabalhadores preguiçosos, incultos e de segunda classe e relegamos estas profissões de fato aos menos escolarizados. Assim não percebemos que o trabalho braçal é fundamental até precisar fazer uma famigerada reforma em casa. Aí percebemos que tais profissionais não são baratos, e que mesmo cobrando caro acabam nem sempre sendo bons. Isso porque ao desvalorizarmos a profissão criamos a cultura do não aperfeiçoamento das técnicas de construção civil.

Assim, continuamos construindo casas como nossos tataravós quando poderíamos estar usando materiais e técnicas mais baratos, mais eficientes e de modo menos impactante com relação ao meio ambiente.

Sou admiradora de pequenas comunidades sustentáveis, porque são capazes de aliar conforto, economia e qualidade de vida. Casas com hortas e árvores frutíferas tem um clima mais agradável, são ótimas para amenizar o estresse do dia e propiciam uma interação salutar com os vizinhos. – Afinal quem tem uma árvore frutífera dificilmente consome tudo que ela produz e acaba impelido a compartilhar e este ato pequeno e simples tem um imenso impacto nas nossas relações socioafetivas.

Pensamos muito nos belos projetos de arquitetos e engenheiros, mas eles estão lá na ponta do iceberg, seu conhecimento e fica relegado a um nicho que pode de fato pagar por seus serviços. As inovações as quais eles tem acesso não chegam ao trabalhador braçal, nem ao cidadão médio que é quem engrossa o bolo. Assim mesmo havendo materiais maravilhosos e técnicas sustentáveis que melhorariam muito nossa vida em comunidade falta quem saiba trabalhar com estes materiais e executar os projetos. A tal mão de obra qualificada para atender a demanda dos arquitetos e engenheiros.

Precisamos começar a mudar nossa mentalidade e aceitar que todo profissional precisa de qualificação e deve se valorizado por isso – da doméstica ao pedreiro. Nossa construção civil seria muito melhor, mais barata e eficiente se investíssemos na qualificação do trabalhador que lidará diretamente com estes materiais.

Sem qualificação continuaremos usando métodos caros, ineficazes e arcaicos que desperdiçam material, que agridem o meio ambiente e que nos separam – Nossa sociedade tem muros em torno das casas porque desaprendeu a interagir.

Sofremos insegurança em nossos bairros porque não compartilhamos sentimento de comunidade, não compartilhamos experiencias com nossos vizinhos, muitas vezes passamos décadas sem conhece-los. Nossa arquitetura é baseada na necessidade e na segregação. Durante o período escravocrata separávamos a casa grande da senzala, no período das imigrações em massa separávamos o proprietário dos imigrantes/empregados/miseráveis e agora nos separamos de toda a sociedade quando entramos para dento dos muros de nossas casas.

Paisagens semelhantes a que vemos no post existem principalmente nos caros condôminos fechados, e mesmo assim não chegam a ser sustentáveis e são isolados do resto da sociedade – triste.

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