Hoje passei o dia refletindo sobre algumas coisa que ouvi na Radio Interativa FM – Um ouvinte havia mandado uma mensagem de voz e estava, claramente, irritado com a ideia de cidadãos auxiliarem o poder público na conservação de praças, ou mesmo para manter terrenos baldios limpos.

Nós estamos mergulhados em uma cultura de ideologias comodistas e paternalistas. Do tipo “Se eu pago imposto o governo tem obrigação de fazer, eu não preciso ter responsabilizar nenhuma sobre isso.” Na minha humilde perspectiva esse tipo de pensamento é perigoso por 3 motivos.

1º Um pensamento parcialmente correto nos induz e nos conduz ao erro. Sim, se o poder publico cobra impostos ele tem responsabilidades. Isso é um fato. Mas não nos exime. Não nos permite lavar as mãos como Pilatos.

2º – Esse tipo de pensamento justifica o mar de impostos que nós pagamos.

3º – Ainda que paguemos impostos, sejam eles altos ou baixos, uma parcela da responsabilize sobre os ambientes, que habitamos e frequentamos, será sempre nossa.

Esse tipo de pensamento alimenta a maquina de comer dinheiro que forma a nossa máquina tributária, um dinheiro que nunca chega de fato ao seu destino. Com tantos impostos que arrecadados(de forma justificada, temos uma verdadeira industria de obras superfaturadas, materiais e insumos superfaturados, caixas 2, propinas etc. A nossa rede de impostos é uma máquina de escoar dinheiro porque queremos lavar nossas mãos, não queremos ter nenhuma responsabilidade com o bem estar coletivo.

As sociedades mais bem sucedidas não são aquelas que pagam mais a seus governos, mas aquelas em que as pessoas se comprometem mais com o bem estar da coletividade. Ou seja, locais em que há agremiações e associações para discutir os problemas locais e soluções seja por meio da participação popular ou para pressionar o poder público.

Um ótimo exemplo é o da cidade de Nova York que já foi uma das cidades mais violentas dos USA/EUA fato muito bem exemplificado no filme Gangues de nova York que foi inspirado em um dos momentos mais conturbados daquela região.

Plano de Combate à Violência de Nova Iorque

A proposta de uma nova política de segurança pública em Nova Iorque foi publicada em documento do Departamento de Polícia, em 1998, e amplamente divulgada. Em linhas gerais, incorpora diretrizes do modelo de policiamento comunitário, dando ênfase à melhoria das relações polícia/população. Parte de alguns parâmetros como intolerância aos pequenos crimes; controle dos locais considerados de alto risco; enfoque sobre problemas que afetam a qualidade de vida; descentralização do planejamento e das ações de segurança, deslocando o poder decisório para os comandos distritais, e, finalmente, “tolerância zero” para os desmandos policiais.

Neste plano de atuação, com ênfase na atividade policial, opera com quatro princípios básicos: 1) o investimento na capacidade e na inteligência investigativa; 2) o uso de táticas flexíveis e adaptáveis às mudanças na dinâmica criminal; 3) alocação e remanejamento rápidos de recursos e de pessoal; e 4) avaliação contínua dos resultados. As novas estratégias e formas de atuação da polícia enfatizam maior presença dos policiais na rua; maior colaboração da população na vigilância; redução da impunidade e articulação das autoridades locais, estaduais e federais.

Embora o plano esteja centrado na idéia da segurança pública, apresenta um conjunto de metas mais gerais, a partir de um diagnóstico da violência, cujos alvos principais são: elevação do nível de emprego; melhoria do atendimento emergencial; e enfrentamento e mobilização em torno da violência doméstica. Suas estratégias são as seguintes: desarmar as ruas; diminuir a violência nas escolas e nas ruas; reprimir traficantes de drogas, com foco especial no escalão intermediário do tráfico; quebrar o ciclo da violência doméstica; recuperar os espaços públicos degradados; combater furtos e roubos de, e em, automóveis, investigar e desmontar redes de receptadores e revendedores; enfrentar os problemas de tráfego: engarrafamentos, acidentes, poluição ambiental; combater a corrupção e a brutalidade dos policiais e introduzir a avaliação do comportamento dos mesmos, realizada por representantes das comunidades; incutir nos policiais padrões de cortesia, profissionalismo e respeito; perseguir os fugitivos da justiça.

De 1993 até 1997, em vigor o plano, as taxas de violência correspondentes a homicídios, roubos, agressão grave e estupros cairam 60% em Nova Iorque (New York State Division of Criminal Justice, 1997).

 

fonte: http://br.monografias.com/trabalhos2/possivel-prevenir-violencia/possivel-prevenir-violencia2.shtml

Em diversos países a comunidade assume – em parte – os cuidados com parques, praças, jardins e mesmo terrenos baldios. – Como?

1º Não jogando lixo. Gente, em Goiânia e Aparecida de Goiânia a população reclama de lixo nas ruas, nos canteiros entre as pistas, e mesmo em terrenos baldios. Mas o lixo brota sozinho? Ele cria perna e corre para os lugares inapropriados ou tem alguém que em pleno gozo de suas faculdades mentais (ou seja plenamente consciente de suas ações) que pega o próprio lixo e joga lá? – Não importa que tenhamos milhares de carros coletores de lixo ou funcionários para varrer ruas e calçadas se a população agem de forma porca.  Jogando sacos de lixo onde não deve, arremessando garrafas, latinhas, palha de pamonha, coco pela janela dos carros (juro, já vi tudo isso).

2º Ajudando a controlar o mato no “meu” terreno baldio. – Se você é o feliz proprietário de um terreno não construído é seu dever mante-lo livre de mato. Se acha que dá muito trabalho ficar roçando seja inteligente. Plante alguma coisa, flores, árvores, qualquer coisa que iniba o desejo mórbido de seus vizinhos de jogar lixo ali. Lixo que fede, acumula água, vira criatório de ratos, baratas, mosquito da dengue etc…

3º Tem um terreno baldio da prefeitura/estado/governo federal perto da  minha casa por que não ajudar na manutenção dele? Claro que é dever do poder público manter esses terrenos limpos. Não discuto isso. Discuto o fato de que esperamos que o poder publico venha, limpe o mato e vá embora. Mato cresce de novo, vai crescer sempre. Por que não exigir que esta área seja no mínimo gramada? Por que não ajudar na manutenção desse espaço entre uma roçagem e outra. Não estou dizendo para as associações de bairros ou agremiações assumam o papel do Estado, mas que utilizem de forma racional qualquer abertura que haja para transformar aquele espaço em algo útil para a comunidade.

Se há algo no bairro incomodando ou funcionando mal por que cruzar os braços e esperar que outros venham resolver? Há diversas coisa que uma associação de moradores do bairro pode fazer para melhorar a qualidade de vida. E o que exceder o papel do cidadão comum pode ser mais facilmente conseguido com um grupo organizado de moradores do que por agitações que se inflamam no auge dos problemas, mas que esfriam dias depois quando todo mundo volta para a rotina normal. Para uma comunidade organizada cobrar trabalho real e honesto de seus candidatos eleitos, fiscalizar a ação deles (em lugar de pedir favores como um mendigo sem vergonha) é muito mais fácil e eficiente. Mas insistimos em viver em função de nossos umbigos repetindo com um mantra “Se eu pago imposto o governo tem obrigação de fazer, eu não preciso ter responsabilizar nenhuma sobre isso.” – esse pensamento nos aliena, enfraquece e nos torna massa de manobra. Esse é o poder de uma meia verdade usada para manipular.

“Se eu pago imposto o governo tem obrigação de fazer, eu não preciso ter responsabilizar nenhuma sobre isso.” – é apenas uma meia verdade – sim o governo tem dever de usar o dinheiro que paguei nos impostos em benefícios para a sociedade – não para enriquecer – e NÃO EU NÃO POSSO LAVAR MINHAS MÃOS PORQUE PAGUEI IMPOSTOS.

 

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