9840a8ff189d65e9795ca8d87c1128daO fato de ser mulher nos coloca em uma posição difícil na sociedade.

Hoje me aconteceu um fato – não é a primeira vez – mas por ser dia da mulher acho que vale a pena contar.

Estava eu atrás da minha mesinha como sempre, atendendo quando me aparece um – cara – aparentemente educado. Começa a conversar comigo sobre recadastramento, confiro seus documentos e aí começa o H.

-Eu te conheço de algum lugar. Tenho certeza que conheço. – como sou meio avoada, e conheço muita gente mesmo comecei a pensar de onde conheceria a tal criatura. O nome dele de fato não me é estranho. Conversa vai conversa vem ficou claro que não me conhecia mesmo. Então o dito cujo me dispara uma pérola – me passa seu whatsapp que quando eu lembrar de onde te conheço eu te falo.

Educadamente eu disse que não passo meu telefone pessoal para servidores. Passou, conversou mais um pouco e voltou a tocar no assunto. Eu disse que não passaria meu numero porque profissionalmente não é viável. A pessoa voltou a insistir e desta vez chegou a dizer:

-Não vai mesmo me dar seu telefone? Está perdendo uma grande oportunidade. Depois mulher reclama que está sozinha e que falta homem. Melhor dar o telefone… 

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Toda mulher deve amar a si mesma e entender que tem o direito a dizer não quando pressionada.

Por estar em meu local de trabalho segurei minha língua – mas caramba ele estava insinuando que estou encalhada? Que não tenho direito de escolher e que devo aceitar qualquer coisa só porque sou mulher? 

Fiquei muito indignada com a falta
de respeito. Tenho todo o direito de escolher para quem dou meu telefone. De decidir por quem me sinto atraída ou não. O fato deste ou aquele homem demonstrar algum interesse por mim não me obriga a retribuir. Sou um ser humano e não um pedaço de carne em exposição a espera do primeiro interessado.

 Esse desabafo pode até parecer um problema menor em uma sociedade como a nossa. Mas não é – e o relato de um tipo de violência que coisifica a mulher. Quantas mulheres são agredidas por dizer não a uma investida masculina? Já presenciei em boates e shows homens que tornam-se agressivos verbal e fisicamente quando são rejeitados chingando a mulher de puta e outras coisas como se não fosse uma escolha nossa aceitar ou não quem nos toca. A violência física vai de apertos no braço que ficam roxos a pulsos quebrados, empurrões, safanões, murros e tive o desprazer de presenciar no vila mix 2015 uma tentativa de estupro. Foi preciso quatro homens para remover o agressor de cima da vítima que chutava, mordia e pedia ajuda. 

No dia da mulher somos homenageadas vim textos que exaltam nossa subserviências e a falta de autonomia para gerir a própria vida e o próprio corpo. Somos homenageadas por viver em função de marido e filho – sem direto a ficar cansada, doente ou de dizer não. 

Essa mentalidade que cria homenagens à subserviência é a que cria estes homens que acham que a existência feminina é em função de ter um homem. 

 

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