O que eu penso?

Ontem à noite uma leitora deixou um excelente comentário no blog, pedindo para divulgar uma reportagem da agência independente de notícias Pública. Vou falar desta matéria daqui a pouco. Antes, o comentário da leitora:”Queria aproveitar pra fazer um comentário-apelo: Não digam que o aborto em caso de estupro e risco de vida à gestante é…

via O CALVÁRIO QUE É FAZER UM ABORTO LEGAL NO BRASIL — Escreva Lola Escreva

Os dados são alarmantes: cerca de 7% das mulheres estupradas acabam engravidando (ao contrário do que dizem os republicanos dos EUA, para quem o corpo feminino — esse corpo do qual eles manjam tanto — bloqueia esperma vindo de estupradores). 67,4% das brasileiras que engravidaram em decorrência de estupro não conseguem abortar, mesmo que a lei não puna, porque há inúmeros empecilhos. Vale lembrar que muitas dessas vítimas de estupro que engravidam são crianças e pré-adolescentes. Ou seja, elas serão forçadas a parir ou serão submetidas a cesáreas, sem que seus corpos estejam formados. Elas correm risco de vida ao prosseguir com a gravidez, e ainda assim, nosso Estado (nada laico) as obriga a isso. 

Agora minhas palavras – Não sou a favor do aborto em todas as  circunstancias – mas ser a favor ou contra é opinião pessoal. Legalmente acredito que devia sim ser legalizado – Não para facilitar a vida de quem não quer ter filhos, mas para salvar a vida de mulheres desesperadas, em especial as que sofreram violência sexual e que sim vão tentar abortar por meios muito mais perigosos e precários e mutas vezes vão morrer tentando, ou sofrer graves sequelas como : perder a capacidade reprodutiva, ter mal formação fetal por uso de medicamentos abortivos que falharem, etc.

Julgar é fácil, estar na pele de uma mulher desesperada é mais complicado. Posso ser contra o aborto e ainda sim respeitar quem recorre a ele.

São muitas as formas de violência sexual – e estando fragilizada a mulher é culpabilizada, julgada e tratada como um monstro quando o monstro foi aquele que a violentou. A mulher é duplamente agredida quando dizem que ela não tem domínio sobre seu corpo. – uma vez ao ser estuprada e uma segunda vez quando não pode decidir se vai dar a luz ao fruto da violência.

Ter o poder de escolha na minha opinião não aumentaria o numero de abortos, mas daria mais suporte as mulheres para escolher conscientemente. E acredito ainda que o número de abortos poderia diminuir – visto que a mulher sentiria-se acolhida e não julgada.

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