Livros que me incomodaram profundamente – Série Carpatos

Bom dia.

Como boa viciada em leitura – mesmo que eu demore uma vida para vir aqui postar algo sobre o tema – eu estou sempre lendo. Faz algum tempo que achei a série Carpatos. Como as vezes tudo que queremos é aquele romance bem sexy e despretensioso me lancei na leitura do primeiro volume:Download-Príncipe-Sombrio-Os-Carpatos-Vol.1-Christine-Feehan-em-epub-mobi-e-pdf-370x545  Príncipe Sombrio – Os Carpatos – Vol.1 – Christine Feehan. A principio até gostei da narrativa, mas a medida que o romance evoluía fui tomada por um grande, imenso, descomunal desconforto com a ideologia por trás da história.

Explico – Me incomodou que
os personagens masculinos reproduzem a ideia do macho que toma conta da fêmea tirando-lhe qualquer resquício de livre arbítrio ou individualidade. A mulher “fêmea” é uma posse, algo a ser guardado e protegido, não um individuo completo. O ápice desta ideia está no momento em que o “herói” até respira por ela para salvar-lhe a vida. O processo de perda de individualidade da “heroína” aparece com verniz de romantismo com pitadas e romance de capa e espada e pitadas de sobrenatural e lindas paisagens e sexo quente.

Terminei a leitura do livro por pura indignação, para ver até onde ia aquela ideologia absurda. Por pura teimosia li mais dois romances da saga para por fim desistir. A mesma ideia persiste nos três volumes que li. O sexo e a atração unem os personagens, um pouco de sobrenatural e histórias rasas servem de pano de fundo para a descaracterização das personalidades femininas lembram muito as ideologias machistas que tanto tentamos desconstruir.

Enquanto nós mulheres em nossa maioria buscamos parceria nos relacionamentos ao invés de uma relação de posse em que o macho alfa manda e a fêmea obedece feliz estes romances trazem como ideal de felicidade o justamente a relação de posse que é validada pelo ato sexual no qual a mulher por prazer renuncia a si mesma.

A pílula é dourada por uma falsa premissa – Mikhail Dubrinksy é o Príncipe dos Cárpatos, o líder de uma sábia e secreta raça ancestral que vive na noite. Tomado pelo desespero, com medo de nunca encontrar a companheira que iria salvá-lo da escuridão, a alma de Dubrinksy gritava na solidão. Até o dia em que uma bela voz, cheia de luz e amor, chegou a ele, atenuando sua dor e seu anseio. – Com base nisso o romance alardeia a impossibilidade de alguém ser completo por si só, que a felicidade só poderia ser vivida através de outra pessoa. Pior joga sobre a figura feminina a responsabilidade de “iluminar a alma do homem” projeta os anseios dele sobre a mulher tirando dela todo o direito de ser um indivíduo, de ter vontade própria, de fazer escolhas porque a felicidade do outro está condicionada a ela – não como individuo – mas como posse.

Outra coisa que me incomoda é o esvaziamento do mito do vampiro – um dos mitos mais recorrentes na literatura e trabalhado com maestria por autores como: Anne Rice, Charlaine Harris, Alexandre Dumas, Stephen King, James Rollins e Rebecca Cantrell, George R. R. Martin, P. C. Cast, John Ajvide Lindqvist.

Não recomendo esse tipo de leitura.

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