imagesDesde a minha adolescência quando vieram os primeiros sensores de velocidade que ouço sobre “a infame industria da multa.” Parecia um monstro terrível que mirava os cidadãos de bem.

Hoje – tantos anos depois – Ainda escuto o mesmo discurso inflamado, repetido quase como se fosse um mantra – Mas, eis a verdade, NÃO EXISTE INDUSTRIA DA MULTA – o que existe é a industria :

  1. Da Falta de Educação
  2. Do – Eu primeiro
  3. Do – Ih, esqueci de dar seta
  4. Estaciono sim em fila dupla porque sou a ultima bolacha do pacote e meu conforto vale mais que o respeito aos outros.
  5. Porta de colégio vale tudo – estacionar em fila dupla, em cima da faixa de pedestre… só não vale estacionar na rua de baixo e educadamente levar meu filho pela calçada – afinal só saio de casa em cima da hora e preciso trabalhar.
  6. Se derem seta para entrar na minha frente acelero sim.
  7. Na rotatória é a lei do mais forte.
  8. Estaciono em local proibido porque não gosto de andar.

O discurso da industria da multa reflete muito bem a “corrupção nossa de todo dia”. Como pode uma pessoa que acha certo os comportamentos a cima, que os pratica diariamente querer uma politica mais limpa e mais honesta? Precisamos nos melhorar dia a dia, extirpar esse tipo de “autocondescendência” e começar a praticar mais cidadania.

Precisamos ensinar a nova geração a não ter estes vícios para que talvez no futuro tenhamos sim uma politica mais ética, visto que a ética não começa de cima para baixo. Os poderosos não vão mudar suas peles de lobo do dia para a noite, é preciso construir uma sociedade que não tolere os pequenos e grandes abusos. Que não aceite nem as pequenas nem as grandes corrupções.

Não quero pensar – sempre com tristeza – que estamos sempre a mercê de uma perene oligarquia que muda de nome, de regime político, mas continua sempre a mesma. Desde a época de Brasil colonial somos explorados e massacrados pelos mesmos grupos com um só interesse – enriquecer as nossas custas e fomos ensinados desde sempre que certos “deslizes” são aceitáveis – como estacionar em fila dupla – porque uma população condescendente é mais fácil de manipular. Uma população que prima pelo respeito ao próximo tanto quanto o respeito por si mesma é menos aberta a esquemas de corrupção.

A chamada industria da multa é apenas mais um discurso que visa a impunidade de atos ilícitos, visto que de fato ela não existe, não é multado quem estaciona no lugar certo, quem não ultrapassa os limites de velocidade, quem não faz ultrapassagem proibida…

 

 

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