Retornando das férias – tristes reflexões depois dos bons momentos

Boa tarde caros leitores – faz um tempo que não escrevo nada – estava em férias.

Aproveitei para dormir, passear, viajar… afinal são os únicos 30 dias do ano que não sou assombrada pelo famigerado ponto eletrônico, então posso fazer meu horário.

Não quer dizer que deixei de acompanhar as noticias, apenas me abstive de opinar por aqui, embora tenha dado um ou outro pitaco no facebook – o que não conta muito afinal o face é o lar do vazio e da futilidade banhados em narcisismo – salvo os videos de bichinhos fofos kkkk

Nessas férias eu queria muito esquecer nosso quadro geral – Dilma-Temer-Cunha-Aécio,etc…, mas não tem como.

Ao ficar em casa senti-me bombardeada pela tv aberta por mensagens de estagnação e conformismo – ou seja não vejo tv aberta por livre espontânea vontade. Fiquei indignada com o mantra da novela das 6 – não tinha visto ainda. Uma verdadeira colcha de retalhos de esteriótipos preconceituosos e classistas disfarçado de comédia pastelão  e para piorar com um “mocinho” que é uma versão soft de Jeca Tatu que repete sem parar  Tudo o Que Acontece de Ruim É Para Melhorar – Fiquei muito indignada. Em um momento sócio politico como este uma emissora repetir isso sem parar é uma forma descarada de doutrinação. È como dizer ao nosso subconsciente “Olha, está tudo uma merda, mas tudo bem, a vida é assim mesmo, aceite e siga em frente, não questione muito

Vejo dizerem que a globo tem um “Q” de espiritismo. Venho questionando isto nos últimos anos. O espiritismo não prega o conformismo, ele prega a lei de causa e efeito, você sofre as consequências de seus atos, até acreditamos que certos sofrimentos venham de forma inevitável para nos melhorar moralmente, mas isso não significa que acreditamos que deve-se aceitar o sofrimento pura e simplesmente.  Acreditamos sim que ele venha como uma ferroada para nos fazer progredir, sair da estagnação, buscar melhorar, ou seja para nos forçar a sair do poço, este bordão  Tudo o Que Acontece de Ruim É Para Melhorar pode até referir-se a uma letra de música interessante, mas é quase sempre desvinculado dela. sendo inserido em contextos de situações que requerem mais otimismo e passividade que ação. Uma verdadeira lavagem cerebral em um momento que devíamos estar atentos a nossa situação social, politica e econômica.

Vejo o descaso dos meios de comunicação com o processo de impeachment. Não vou fazer apologia a Dilma – não a considero uma heroína, não acredito que seja uma boa comunicadora, e sim ela fez muita coisa errada. O que eu defendo é o direito a informação para que a população saiba o que está acontecendo. Faltou uma cobertura ampla – a copa do mundo teve mais visibilidade na tv que estes dias de votação. Coisas fúteis preenchem as horas nas tvs abertas e opiniões parciais inundam jornais, revistas e redes sociais.

A imparcialidade é uma ilusão para nos fazer aceitar as situações sem questionar. E foi assim esse rito de impeachment.  Quantos de nós acompanharam a votação pelas tv Camarâ ou Tv Senado ? Quem viu as argumentações pró e contra? Quem se contentou com o “informe do jornal da noite”?

O que me deixa triste não é a saída de Dilma – em outro momento eu mesma cheguei a desejar jogar ela para a estratosfera. O que me deixa triste é o modo como foi conduzido, os motivos ilegítimos, quem vai ser favorecido….

Depor uma presidente (não vou usar presidenta embora entenda ideologicamente que forçar o feminino para uma palavra decididamente masculina é sim uma forma de buscar a igualdade sexual na politica que é um cenário masculino e misógino por natureza) é uma decisão mais importante que o desempenho de Neymar nas olimpíadas (fato mais noticiado que a votação impeachment) e por tanto o processo que vem se arrastado desde a semana passada devia ser mostrado na integra. Devíamos acompanhar a votação passo a a passo e não por resumos ideológicos. Devíamos sim gritar a favor ou contra junto com nossos candidatos eleitos, ver o que dizem, o que defendem.

Devíamos esquecer novela, sessado da tarde, programa culinário e ouvir atentamente o que cada um dos senhores senadores disseram. Mas não fizemos isso. A maior parte de nós apenas seguiu a vida dando uma olhada ou outra nas redes sociais.

Não vejo vencedores em um processo assim. Todos saímos perdendo. Não porque a presidente foi deposta, mas porque os envolvidos neste processo estão mais interessados em sentar no próprio rabo e defender interesses pessoais que no bem estar da nação.

Sinto uma profunda tristeza por o povo Brasileiro achar que o mundo é preto e branco, como se houvesse um herói e um vilão – afinal fomos doutrinados por novelas que dividem o mundo em bons e maus. A vida não é assim, e principalmente a política não é assim. Não existem heróis com varinhas mágicas, existem interesses. Alguns interesses podem literalmente foder com o povo em benefício de uma minoria.

Hoje venceu a bancada que deseja por fim as investigações de corrupção. O clamor que ganhou as ruas em 2013 foi engolido e transformado em massa de manobra.

Agora o que teremos e o esfriamento das investigações até que desapareçam. Cunha, Aécio e outros vão continuar na vida boa, ricos dirão que cocaína é açúcar  enquanto pobre leva bala na cabeça, fazendas continuaram dissimulando trabalho escravo, a farsa da quebradeira da previdência vai nos forçar a morrer antes de aposentar, o poder de compra da classe média vai sumir pelo ralo e a educação – Ah educação! – vai ficar mais cara e elitizada.

Para mim estamos vivendo a vitória do egocentrismo, e tenho medo do que os próximos anos reservam para pessoas como eu – nem de direita, nem de esquerda, e que esperavam que houvesse uma terceira via. Que tiveram esperança em 2013 de que finalmente começaríamos a desmantelar a maquina de corrução pela qual temos pago com sangue e suor.

Sinto que somos engolidos por discursos vazios disparados de todas as direções. Sonho com utopias em quem o caráter valha mais que vantagens pessoais ilusórias, sonho com uma economia que faça forte o mercado interno, que o giro de mercadorias de qualidade aqueçam a economia e gere riqueza sem lesar o semelhante.

Não sou contra a mais valia, sou contra as relações de trabalho que beiram a escravidão. Cogita-se aumentar a jornada de trabalho para trabalhadores que já passam 90% de suas vidas no trabalho, sem acesso atividades que melhorariam sua saúde física e mental e que aumentariam sua produtividade.

Quando vejo como andam as coisas na nossa politica começo a pensar que distopias como Mad Max, Twelve Monkeys, Minority Report, Gattaca, O preço do amanha… só para cidar os mais fáceis de achar, não são tão irreais assim. 

 

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Um pensamento sobre “Retornando das férias – tristes reflexões depois dos bons momentos

  1. “Desde menino ouvi dizer, e aprendi, que chapéu de trouxa é marreta. Que se dormir distraído, pode acordar com um pé de mesa…

    E a cada dia mais isto se confirma, Olha só.

    Naquele antro da quadrilha que costumamos chamar de congresso, as coisas acontecem de uma forma muito diferente e complexa. Pode-se dizer, em mais um eufemismo, peculiar.

    Ali estão os caras que fazem a leis.

    Ali estão os caras que vivem em uma situação particular, somente possível para quem está acima da cidadania e dos escrúpulos dos mortais comuns.

    Eles roubam, eles corrompem, eles enganam, eles iludem, mentem e os ‘carai’ a quatro, eles fazem as leis, eles julgam, eles mesmos absolvem, ou condenam. Vai da conveniência deles.

    Surreal. Nem Salvador Dali poderia conceber algo mais surreal.

    E os caras discursam, cinicamente, que ninguém está acima da lei, que ninguém pode cometer crimes e ficar impune, que apaporra daporra e, de novo, os ‘carai’ a quatro.

    Queopariu!!
    Que merda, né não?
    APAPORRA SAPORRA!

    Lembrando, #FORATEMER …”

    https://gustavohorta.wordpress.com/2016/08/23/apaporra-saporra/

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