Sobre qualidade de vida – e flexibilização da CLT

Estamos (não)vendo uma proposta de flexibilização da CLT – e existem diversos pontos que me preocupam –

1º – Somos uma nação de sindicatos não representativos, que recebem verba governamental e que servem mais para cabide de emprego e ascensão politica que às classes trabalhadoras. Sindicatos – com raras exceções – que ganham muito para representar os governos em lugar dos trabalhadores. Sejamos honestos – se flexibilizarmos a CLT e deixamos as decisões como 13º e férias etc nas mãos dos sindicatos como são hoje – você acredita que votarão em favor de todos os trabalhadores ? Pior, vamos deixar que eles decidam por toda a classe ao invés de apenas pelos seus filiados? Estamos preparados para isso?

2º – Sofremos ainda os resquícios da escravidão em nossas relações sociais e relações de trabalho. Não adianta bater no peito e falar que não existe preconceito de cor e classe nesse país porque há sim. E pior está tão enraizado que fica invisível. Sabemos que em fazendas perto das grandes cidades o trabalho escravo ocorre camuflado e atinge a negros e brancos que viajam para fora de seus estados de origem, chegam com promessas de emprego e carteira assinada e encontram dividas que nunca conseguem pagar com seus salários. – Estrategia velha que vem desde as primeiras imigrações após a abolição oficial da escravidão. Quantos italianos, poloneses, alemães e outros caíram nessa? Pois é, todo mundo conhece alguém ou o primo, sobrinho, filho de alguém que caiu nessa e precisou ser resgatado pela família.

3º A flexibilização da CLT PODE PERMITIR aos inescrupulosos que usem os novos mecanismos para uma escravidão dissimulada de relação trabalhista – funciona assim – você trabalha 12 horas, recebe essa merreca e se não quiser tem outro que topa. Já vemos por baixo dos panos empresas privadas forçarem os trabalhadores a venderem parte das férias todos os anos, retardar o máximo possível a concessão do beneficio, etc –  Não somos uma nação madura e ética.

4º O empresariado quer cortar custos e aumentar o lucro e não aumentar a quantidade de empregos. O certo seria a redução da carga tributária sobre toda a população, incluindo o empresariado. Pagamos muito mais impostos que o país realmente necessitaria, mas a corrupção é um saco sem fundo, um buraco negro. Aumentar o lucro as custas do trabalhador é desumano, o trabalhador – COMO TODO SER HUMANO – necessita de tempo para ter qualidade de vida. Tempo para descansar, ter lazer, viver a vida com a família. Como vamos desenvolver uma cultura que valorize o trabalho por si, pelo prazer de gerar resultados se esse trabalho escraviza e impede que a pessoa tenha qualidade de vida. Sempre teremos profissionais exaustos e infelizes que produzem pela chibata em lugar de fazer o seu melhor enquanto o trabalho for imposto de forma tão brutal.

Se queremos por fim a mentalidade do “maior lucro com o menos esforço” precisamos sim de relações de trabalho que sejam justas. Não somos a Suíça ou qualquer outra nação que tenha atingido a maturidade em suas relações de trabalho a ponto de poder deixar o barco correr solto. Talvez se nunca tivéssemos permitido que o ESTADO fornecesse fundos aos sindicatos e eles permanecessem fortes, independentes e atuantes aí sim poderíamos pensar nessa flexibilização.

As propostas não são claras, não estão sendo divulgadas de forma ampla para a sociedade. Esse tipo de debate devia estar em todas as mídias, devia ter ampla participação de todos os setores da sociedade. Não é uma decisão que possa ser tomada seja por PT, PMDB, PSDB ou qualquer outra sigla. Não é uma decisão partidária ou do empresariado, pois afeta toda a sociedade. Permitir que votem essa flexibilização por nós é voltar a ditadura. 

 

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