Não deixo de me perguntar como seria se nossa sociedade tivesse evoluído moral e espiritualmente a ponto de superar essa visão cruelmente distorcida em relação ao corpo feminino.

Vivemos em um país quente, muito quente e as temperaturas em todo o globo tem aumentando ano a ano. Nesse contexto o corpo feminino continua sendo um tabu, algo a ser escondido, mesmo que morramos de calor como se a roupa determinasse caráter ou mérito.

Entendo que roupas fazem parte de um conjunto ligado a personalidade, estilo, gosto pessoal, necessidade de aceitação ou contestação social e mesmo fatores climáticos que determinam tecidos mais adequados e influenciam grandemente no comprimento.  Assim sendo dizer que uma mulher merece ser estuprada pelo que ela veste é condenar o direito dela se manifestar como indivíduo social e condenar-nos a um silencio mortal. É dizer que não temos direito a personalidade, que existimos para pertencer a outrem.

Nenhum ser humano deve ser obrigado a “não ser”, a calar-se socialmente, a fingir não sentir calor. Homens e mulheres devem sim ter o direto de vestir-se como lhes convier.

Hoje saiu uma pesquisa do Datafolha, feita a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. E os resultados, mais uma vez (só eu me lembro dos 26% da pesquisa do Ipea que, dois anos atrás, concordavam com a afirmativa “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”? Ou dos 59% dos entrevistados que…

via MAIS UMA PROVA DE QUE A CULTURA DO ESTUPRO SEGUE FIRME E FORTE — Escreva Lola Escreva

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