Mulheres que correm com lobos – Clarissa Pinkola Estés — Letrificando

Amooooo esse livro desde dois mil e pouco, quando era uma caloura de letras e dei de cara com ele em uma livraria da UFG. Não foi apenas amor a cada página, foi uma paixão avassaladora a começar pelo conto La Loba.

Foi o primeiro contato com uma ótica feminina da pisque feminina, com a tradição oral feminina o que é um verdadeiro choque para quem acaba de sair de um Bruno Bettelheim  e sua “Psicanálise dos contos de fadas”

Não vou dizer que desprezo a visão Freudiana, porque tem muitos pontos interessantes, mas esse livro de vertente Junguiana abriu um novo leque de possibilidades tanto na literatura quanto na minha vida.

Estamos acostumadas a ser vistas sempre pelo olhar masculino, muitas vezes é a ótica masculina que norteia culturalmente a nossa noção de beleza, de corpo, de saúde e sanidade mental, de o que é certo errado sexualmente.

Ser definida pelo olhar de outro é frustrante, afinal o um homem pode saber de verdade sobre um corpo que não é dele e que por tanto não tem as mesmas necessidades. Clarissa nos mostra que podemos ter um olhar sobre nós mesmas por meio de uma “infelizmente agonizante” tradição oral feminina.

Nós mulheres, sempre tivemos nossas histórias, ou nosso modo de contar histórias, tradição que vem se perdendo. Estamos deixando que contem histórias por nós, assim nos deixamos ser definidas pela noção de que seriamos frustradas pela falta de um falo.

Os contos desde livro, o modo como a nossa psique é vista por meio deles diz justamente o contrario. Não somos definidos pela presença ou ausência de um pênis, nosso útero não nos torna naturalmente histéricas. Claro que há valor em analises simbólicas como o ciclo no noivo animal de Bruno Bettelheim, mas somos muito mais que as donzelas enclausuradas por nossa curiosidade/necessidade sexual.

Temos nossos ritos de passagem, atravessamos a floresta escura ou o deserto recolhendo ossos. Somos La Loba, somos a Selkie, ou a noiva de ossos. Nossa curiosidade e desejos não são um problema ou uma falha, não são justificativa para os muitos Barba Azul nos dilacerarem.

Eu amo esse livro por tantos motivos, ele atiçou minha curiosidade para ler Jung, Gilbert Durand, apurou meu gosto para textos de Lygia Bojunga, Clarice Lispector, Marina Colasant, Philip Pullman, Marion Eleanor Zimmer Bradley e tantos outros autores a autoras com visões singulares do ser humano e/ou universo feminino.

É um livro que indico para homens e mulheres sempre. Assim como indico contos “A moça Tecelã” e “Entre as folhas do verde O” para qualquer homem que queira saber o que de fato esperamos de um companheira.

Meu primeiro contato com Clarissa foi através desse livro, uma obra encantadora das relações entre as mulheres jovens e velhas. ‘Mulheres que correm com lobos’, porém, é algo muito mais profundo, muito mais arrebatador do que tudo o que já tinha lido. Identificar a nós mesmas e às nossas amigas e irmãs naqueles arquétipos eternos […]

via Mulheres que correm com lobos – Clarissa Pinkola Estés — Letrificando

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2 pensamentos sobre “Mulheres que correm com lobos – Clarissa Pinkola Estés — Letrificando

  1. Que lindo seu texto! É impressionante como nós mulheres nos identificamos com os escritos da Clarissa. Quase não conheço psicologia e o livro dela me deixou ainda mais curiosa sobre esse tema. Esse livro mexeu comigo de uma maneira que não sei explicar. Me fez buscar ouvir meus extintos, fez eu querer ser ouvida diante das pessoas e me fez perceber o quanto nós mulheres nos anulamos para sermos “educadas”, “boazinhas” e “doces”. Se eu pudesse indicar um único livro a todas as mulheres que fazem parte da minha vida, seria esse ❤

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