Quanto mais eu vejo as atrocidades do nosso congresso mais eu penso que nos falta amor ao próximo.

Digo atrocidades porque as reformas propostas só seriam eficazes em uma nação moralmente evoluída. Uma sociedade na qual o ser humano não fosse o lobo nem o carrasco de seu semelhante. Definitivamente não é o nosso caso.

No Brasil vivemos exatamente o oposto. Uma minoria detentora do meios de produção que não prioriza o mercado interno e vê todos os trabalhadores não como seres humanos, mas como ferramentes quer tirar qualquer garantia desse trabalhador/ferramenta de modo a aumentar apenas o lucro no topo da piramide.

O que não vemos na crueldade desse processo é o efeito dominó. Sem leis que garantam os direitos trabalhistas seremos forçados a trabalhar cada dia mais por menos, perderemos as garantias da subsistência, ( o rendimento minimo para alimentação e moradia) e dia a dia perderemos qualquer possibilidade de qualidade de vida(saúde, educação e segurança) sem poder de compra o mercado interno não irá evoluir, ao contrário, teremos cada vez menos opções de roupas e alimentos, o acesso a tecnologia ficará cada vez mais caro. Acesso a smartphones e internet em pouco tempo será para poucos, a verdadeira preocupação será manter um teto sobre a cabeça e ter o que comer duas a três vezes ao dia.

Alguns dizem que devemos engolir as reformas, em especial os choram o “Fora Dilma” até hoje porque ela também apresentaria essa proposta. Eu digo, não importa quem apresenta a proposta, importa que estas reformas nos esmagaram por décadas. Aumentaram a fome e o desespero dos mas pobres e jogaram de volta na linha da pobreza aqueles que faz pouco mais de 5 anos que pensa ser classe média. Eu protestaria se fosse com Dilma na presidência com o mesmo desespero que protesto agora.

Esta reformas não vem de um candidato, mas de uma classe não de empresários, mas de parasitas que não percebem que ao exaurir todos os recursos de uma nação sobrará apenas uma carcaça apodrecida. Uma nação não é apenas uma fonte de riqueza, mas um complexo emaranhado de relações sócio-econômicas. Quando o egoísmo desvairado toma conta dos processos politico social e politico econômicos nós caminhamos não para a beirada, mas para o fundo de um precipício.

Quando penso no dia 28/04 não penso em sindicados ou na Cut, penso nas pessoas. Penso nos meus colegas de trabalho que não entendem a importância de levantar a cabeça e ver em volta, que não percebem que a omissão é assinar uma carta em branco para fazerem o que quiserem com nossos impostos e nossas vidas. Penso na quantidade imensa de pessoas que continuará trabalhado por medo de perder o emprego, por medo no desconto dos salários. Pessoas que não percebem que ao se calarem que consentem. Penso nos meus vizinhos, nas pessoas que vejo nos pontos de ônibus, nas calçadas. Daqui um ano quantas delas estarão passando fome ? Quantas delas trabalharam mais de 12 horas por dia e mal terão dinheiro para o aluguel. Quantos deles já estão nesta situação hoje e o que será deles amanhã?

Quando penso no dia 28/04 penso em quantas pessoas dizem ser contra a corrupção, mas estacionam na vaga de deficiente, furam fila, estacionam em fila dupla, pedem para o fulano conhecido “dar um jeitinho naquela multa.” ou “naquele pequeno delito.” Penso em nossa moral elástica. Penso que as reformas trabalhista e da previdência só chegaram ao ponto que chegaram porque aceitamos a corrupção como algo normal no nosso dia a dia.

Dia 28/04 é importante não apenas por ser o dia de uma greve geral. É um dia de tomada de consciência. Ou mudamos para melhor ou seremos devorados não por um capitalismo selvagem, mas pela desumanização  nosso semelhante.

Quando pensamos que não é problema nosso, que por termos uma  suposta “estabilidade” nós também estamos sendo coniventes com a desumanização do nosso semelhante. A reforma trabalhista e a reforma da previdência são problemas que afetam a todos  nós que não estamos no topo da cadeia econômica. Qualquer pessoa que tenha um tendimento inferior a 15 mil por mês vai sim ser afetado, direta ou indiretamente.

Quando pensamos que o problema não é nosso e seguimos com as nossa vidas estamos esquecendo que vivemos em sociedade/comunidade. Que existe uma relação de codependência entre todos nós desde o pequeno agricultor, o varredor de rua, o policial, o professor, o médico, o profissional autônomo, o caixa de supermercado…. e que para a sociedade oferecer qualidade de vida a todos, todas as profissões precisam ser respeitadas. Tratar qualquer classe profissional como subemprego,é tratar o semelhante como um sub-humano e isso nos retroage ao período escravagista. Mas desta vez não estaremos usando a cor da pele ou etnia como desculpa para escravizar o semelhante.

Dia 28/04 ir as rua é nos afirmar como cidadãos em todos os sentidos nos posicionando contra a monstruosidade de permitir que os mesmos empresários que compram os nossos políticos e fomentam a corrupção nos escravizem ficando cada vez mais ricos dos dois lados deste cabo de guerra – corrompendo e ganhando caixas 2 e nos fazendo morrer de trabalhar. 

A reforma das leis trabalhistas vai na contramão do resto do mundo civilizado que investe na qualidade de vida e em bons salários para aquecer o mercado interno, fortalecer o país e gerar riquezas dentro e não fora das fronteiras. Dinheiro deve circular e não ficar acumulado nas mãos de poucos.

Não sou contra a existência de ricos ou do enriquecimento, mas sou conta isso ocorrer e se manter as custas de sangue e suor de pessoas esmagadas, parasitadas e oprimidas e do estrangulamento do mercado interno.

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