coisas que acho legais

No meu Instagram

Tem algumas coisas que vale a pena compartilhar mais de uma vez. As palavras do Padre Fabio de Melo traduzem o que muitas mulheres feministas ou não desejam. Respeito. Ele é um grande exemplo de amor ao próximo -até onde acompanho a trajetória do padre e é bom refletir sobre o que ele diz nesse post.

Não importa se conhecemos alguém em um aplicativo, em uma boate, em um show, em uma livraria ou na igreja. Nenhum ser humano tem o direto de agredir outro. Isso fere o mandamento que segundo o Cristo resume os dez mandamentos em um – Amarás o teu Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo-

E nos dias de hoje conhecer pessoas por aplicativo é normal, e é q forma de muitas pessoas lutarem contra a solidão e buscarem parceiros. Sei de pessoas que se casaram com pessoas conhecidas em aplicativos. Do mesmo jeito que tem babacas caçando mulheres para uma transa tem pessoas boas que buscam alguém para viver algo real. Assim como em qualquer lugar. Essa é minha humilde opinião. Quer me chamar de feminista aceito. Feminista que acredita no respeito para ambos sexos, que acredita que pode haver felicidade no casamento, com filhos, sem filhos, na solteirice- só não há felicidade quando abrimos mão do respeito mútuo e do amor próprio porque só se ama verdadeiramente quando estamos bem conosco mesmos. Amor 💕 é uma via de mão dupla em que se constrói acordos de convivência e se mantém pontes de respeito conectando duas almas, pontes que podem tremular, mas sobrevivem às tempestades do dia a dia.

Violência só gera mais violência e é hora de quebrar esse ciclo.

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Eu devia escrever sobre Dom Quixote

Uma das minhas maiores dificuldades foi ler #domquixote. Muita gente ama o #cômico dentro do #romance eu sofro a cada passo iludido do #cavaleiro da triste ☹️ figura, cada desventura,

cada verso para sua #doroteia que de #bela e #donzela não tem nada. Então quando me deparo com esse #quixote não deixo de me encantar. Me lembra todas as traduções do romance que li em 2003. Essa figura #pitoresca está na #livrariapalavrear e espero que inspire novos leitores bem como traga a emoção das lembranças da leitora de quem já enfrentou #moinhosdevento com o desventurado cavaleiro.

Eu deveria escrever um artigo maior detalhando a experiência. Quem sabe um dia, pois para fazer um texto descente terei que reler as obras (incluindo continuação oficial de Cervantes e a apócrifa feita por um rival literário ávido por aproveitar-se do sucesso do livro 1)

Até lá o que posso dize é que q experiência com Quixote me criou um apetite para diferentes traduções de uma mesma obra – algo como o sentimento do “Dom Quixote” de Pierre Menard do texto de Borges ou “Felicidade Clandestina” de Clarisse Lispector.

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Esse post é simples mas é incrível

www.instagram.com/p/Bt30CfdH77-/

Um vídeo/depoimento que é uma verdade.

Como branca eu cresci nessa normalidade então quando alguém aponta o dedo para a crueldade dessa normalidade assusta. Mas é bom que observemos que segregamos nossos irmãos e irmãs e o fazemos sem perceber porque é normal. Eu penso que é hora de mudar esse normal – cor de pele não deve bus dividiu como se fôssemos mais ou menos merecedores de estar em qualquer lugar por um detalhe biológico. Negros ou brancos somos humanos.

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Selfie x Auto-Retrato

Qual a diferença entre uma Selfie e um verdadeiro Auto-retrato?

Gramaticalmente nenhuma. Em teoria as duas palavras deveriam ser equivalentes, ou melhor auto-retrato devia ser a tradução de Selfie, mas a verdade é conforme usamos as palavras no nosso dia a dia elas ganham vida e sentido próprios, deixam de existir em ‘Estado de dicionário” e passam a incorporar o consciente e inconsciente coletivo.

Por isso dizemos na doutrina espirita que palavras tem peso, cheiro e densidade, que ela é uma manifestação material. De fato, palavras tornam-se manifestação da nossa pisque individual e coletiva e por isso podemos sim dizer que ela tem peso.

Neste sentido quando pesamos em Selfie, pensamos nas imagens rápidas que fazemos de nós mesmos em dispositivos móveis, normalmente para postar em redes sociais como Instagram, Facebook etc ou para enviar por algum aplicativo instantâneo e estas imagens não buscam traduzir a nossa realidade, elas estão mais focadas em divulgar nosso melhor angulo,  nosso lado bonito/exibicionista.

As chamadas Selfs não são imagens que buscam nos traduzir como somos, mas como gostaríamos de ser vistos, daí a diferença para os auto-retratos.

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Um auto-retrato, diferente da selfie, seria uma reflexão sobre si mesmo. Quando pensamos na época dos pintores (antes da popularização da fotografia), retratar a si mesmo era um exercício árduo que não envolvia apenas olhar para um espelho e pintar o próprio rosto. Era o ato de estudar as próprias feições e buscar se traduzir em uma imagem, por isso auto retratos de grandes pintores são tão cobiçados. Não são imagens ideais de si mesmos, mas a tradução de como se viam.

Se formos um pouco mais fundo no assunto, podemos refletir sobre alguns fatos que não passam pela nossa cabeça.

-Espelhos nem sempre foram populares e acessíveis e a maior parte pessoas até muito pouco tempo não conheciam o próprio rosto.

-Antigamente a maior parte dos espelhos era feita de metal polido, de modo que eram caros e raros. Muitas pessoas que se deparavam com o próprio reflexos chegavam a pensar que aquilo era bruxaria.

-O surgimento do espelho de vidro a custos mais baixos popularizou em pouco tempo o uso do mesmo e as gerações que nasceram acesso a ele não imaginam como é viver sem conhecer a própria face.

-Nossa sociedade é cheia de superfícies reflexivas, reconhecer o nosso rosto, nosso corpo tornou-se algo corriqueiro e por isso não pensamos muito sobre o assunto.

Mas se pensarmos bem, ver a nossa face refletiva e conhecer a nossa face são coisas muito diferentes. O exercício do auto-retrato não se contenta com a mera exposição da figura, nem com a superficialidade do “melhor angulo para parecer bonita/másculo)

A selfie é um exercício de auto satisfação, como a masturbação(desculpem se o termo choca). Busca-se o melhor angulo, a melhor pose, a melhor roupa, o melhor cenário, mas não busca refletir o que há sob a superfície. Frequentemente a Self mostra uma alegria que não se sente, um prazer fictício, e até mesmo um amor próprio irreal mascarando situações de vazio e solidão.

O auto retrato seria a reflexão sobre o “Eu” e como refletir esse “Eu” em uma imagem, sem abrir mão da solidão, das tristezas, da idade. Na Self centenas de apps nos ajudam a esconder as linhas que compõem a história do nosso rosto porque nas redes sociais as peles são lisas, limpas e brilhantes e defeitos não são tolerados. O auto retrato não nos poupa da passagem do tempo e as marcas que apagamos nas fotos instantâneas são as linhas de personalidade o tornam mais interessante que a imagem pasteurizada que divulgamos (exaustivamente) de nós mesmos.

O auto retrato é um exercício de amor próprio que se afasta da autossatisfação imediata, mas conduz a um prazer mais verdadeiro porque não é a imagem fictícia, mas um dialogo consigo mesmo e que nem sempre será exposto para fora, para o mundo.

Assim como a selfie o auto-retrato não produz uma imagem real e completa de nós mesmos, mas ele vai contar uma história consistente de quem somos e como nos sentimos em relação a nós mesmos. Com tanta tecnologia facilitando o acesso e a divulgação da nossa imagem estamos perdendo a capacidade de refletir sobre ela. Estamos nos focando na casca, e esquecendo do interior.

As vezes é importante olhar para o espelho não apenas como uma superfície reflexiva cotidiana, mas resgatar o mistério que as gerações anteriores creditavam a ele como veículo para ver a alma e assim olhar para nós mesmos além da superfície reluzente.

Dica de leitura: Sobre os Espelhos e Outros Ensaios – Autor Umberto Eco.

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Brumadinho – Desastres humanos

Amai-vos uns aos outros

2019 começou com tragédias de todas as espécies dentro e fora do país. Algumas tragédias são inevitáveis, são o que chamamos de  desastres naturais e mesmo estas podem ter sua magnitude diminuída pelas novas tecnologias que surgem dia a dia já com o intuito de prever coisas como tsunamis e alertar as populações para evacuação, tecnologia que diminui o impacto de terremotos sobre prédios (vide Japão ).

Agora os desastres humanos tem o poder de nos chocar ainda mais que os naturais, pois podem ser previstos e evitados. Brumadinho não é um desastre natural é um desastre e uma tragédia humana, um fruto: do desamor, da ganancia, da corrupção, da coisificação do ser humano por aqueles que não veem as pessoas fora do seu seu circulo pessoal como pessoas com os mesmos direitos à vida e à qualidade de vida.

Estamos vivendo uma encruzilhada moral pela qual outras nações já passaram. Algumas nações triunfaram e tornaram-se melhores para seus cidadãos, mais éticas e outras fracassaram caindo nas mãos inescrupulosas do que a humanidade produziu de pior. Me pergunto qual será o resultado da nossa encruzilhada moral. Ficaremos atacando uns aos outros com ideologias vazias ou vamos arregaçar as mangas e nos unir para reparar o presente e construir um futuro melhor? Um futuro em que seja inaceitável que a ganancia e a corrupção produzam novas tragedias como Mariana e Brumadinho, mas para que esse futuro ocorra é preciso que cada pessoa seja responsabilizada por seus atos, que cada profissional seja um engenheiro ou um pedreiro sinta o dever moral de fazer sempre o seu melhor, que cada fiscal que assunar uma autorização o faça de modo consciente pensando nas vidas que esse pedaço de papel afeta, que cada órgão regulador tenha autonomia para punir o que encontrar de errado, não apenas com multas porque dinheiro não devolve vidas, mas que possa responsabilizar criminalmente quem joga com a vida das pessoas como se fosse nada.

Corrupção não desaparece em um passe de mágica, os países que a venceram não o fizeram apostando em um herói, mas mudando hábitos arraigados. Os desastres humanos de Mariana e Brumadinho estão jogando na nossa cara o imenso problema que o Brasil vem cultivando por séculos e só vamos superar a corrupção, a ganancia e a incompetência que ceifou tantas vidas pelo amor, amando nosso semelhante como a nós mesmos, exigindo justiça, mas com nossas próprias mãos ajudando a criar uma sociedade em que essa justiça prevaleça. Não estou instigando a violência, estou dizendo para tirarmos a bunda do sofá e atuarmos como irmãos de nossos irmãos estendendo a mão para quem precisa e nos recusando a fazer parte de quaisquer tipo de corrupção, seja furar uma fila, estacionar na vaga de deficiente, aceitar propina – tudo isso faz parte do mesmo problema.

Enquanto formos coniventes com as pequenas corrupções do dia a dia Brumadinho também será nossa culpa, mesmo que não tenhamos nenhuma ligação com a Vale ou os empresários, pois a nossa mentalidade permissiva que perite que empresas façam o que quiserem de nós. A moral elástica que nos induz a achar normal “dar um jeitinho porque é filho de fulano e ele é legal” “Facilitar para sicrano porque uma mão lava a outra.” Normas exitem para nos proteger, regras são criadas para vivemos em comunidade sem que um prejudique o outro, quando burlamos as regras estamos sendo corruptos e tolos.

Estamos recebendo o resultado da soma de todas as nossas corrupções e esse resultado é doloroso, as vidas levadas pela lama não vão voltar, não há dinheiro que pague a vida de uma mãe, de um pai, esposa, filho, irmão, irmã… cada vida é unica e insubstituível.

Precisamos deixar o individualismo de lado e pensar em nós, Brasil como um organismo vivo em que cada cidadão é uma célula ativa e que  nossas atitudes grandes e pequenas afetam o organismo como um todo. A corrupção é como um câncer se espelhando pelo organismo, Mariana e Brumadinho alguns dos órgãos afetados, a hemorragia gritando para que tomemos uma atitude. Apenas pelo amor ao próximo, pelo respeito e pela ética iremos extirpar a doença.

Mas não o amor que nos deixa confortáveis nos sofá, mas o amor expresso em atitudes solidárias, em mudança de comportamento no dia a dia. Por isso peço que nos esforcemos para sermos todos os dias a melhor versão de nós mesmos, que estendamos a mão para quem precisa de ajuda, sejamos honestos dia a dia, sejamos éticos para que sejam conosco, sejamos tolerantes com as diferenças étnicas, sociais, religiosas e ideológicas, mas não fechemos os olhos para o que estiver errado, não aceitemos a violência como resposta para as ofensas, não perpetuemos a violência. Cristo não instigou que se jogasse pedras, mas que semeássemos amor e respeito. Podemos traduzir a ética de Cristo com – Não faça aos outros o que não gostaria que fizessem a ti – uma outra forma de dizer – Amarás ao teu Deus sobre todas as coisas e o próximo como a ti mesmo”