A dificuldade em conceituar arte sexta-feira, nov 17 2017 

Ainda hoje estamos lidando com as repercussões em torno da mostra de arte do “Queermuseu” eu não estive na mostra, não vi 1/3 das obras expostas, vi apenas o que apareceu em redes sociais, mas como toda palpiteira claro que vou dar meu pitaco. Não vou falar da mostra em si, mas da dificuldade em conceituar arte. Me lembro do ano 2000 quando entrei na faculdade de letras e esteirei teoria da literatura 1 na UFG. A primeira pergunta da professora Zenia para nós foi “o que é arte ?” Naquele ano ela nos apresentou o conceito de arte da literatura francesa e Honoré de Balzac, a noção de arte da poética clássica com ênfase em Aristoteles, e muito mais. Por conta própria passo dias na biblioteca tentando responder essa pergunta que parece tão simples mas não é. No centro espírita em que cresci e formei os alicerces da minha visão de mundo eu trabalhava no teatro e aprendíamos que a “arte é o belo criando o bom ” e eu gostaria que a arte de resumisse a isso, mas a faculdade me mostrou que não. A arte pode ou não ter função social. Pode ser bela, pode ser feia, pode chocar, pode ser panfletária, pode fazer sentido hoje e ser nada amanhã. Quando vejo a polêmica da mostra de arte Queermuseu que tentou ser inovadora, mas esbarrou em uma série de conceitos e pré conceitos. Sem conhecer as obras /e mesmo que conhecesse, não posso fazer juízo e valor das obras. Mas posso dizer uma coisa. A arte não previa agredir para ser relevante. Não acho que a arte que machuca sobreviva ao juízo do tempo. Acredito que a arte possa passar pelo feio sem ser grotesca, Herberto Helder – poeta português – prova isso. Seus lemas passam pelo grotesco sem ser repulsivo ou repugnante, ao contrário transborda beleza. Chocar e ferir chamam a atenção, mas nem sempre cumpre o objetivo final da obra. Por outro lado nem tudo que choca foi feito para isso. Géis aí o grande problema. Quando sabemos que a é arte e quando é provocação gratuita? Olhando – virtualmente alguns quadros renascentistas consagrados certa vez vi um lindo jardim bucólico, de longe era a representação da paz e da pureza virginal dos poemas pastoris, olhando com cuidado mais de perto era uma cena digna das profundezas do umbral com orgia…O quando é consagrado como arte clássica.

O que a classe média diria de um quadro desse em exposição no Brasil ? Criticariam ? Fechariam a mostra ?

Definir arte é complicado. Fazer verdadeira arte mais ainda, em especial arte panfletária e/ou militante. A maior parte das obras deste gênero – pintura, escultura, literatura raramente sobrevivem ao fim de seu momento sócio-histórico.

As pouca obras que eu vi seguiam esta linha. Se eram boas ou ruins ? Algumas me fizeram pensar outras só me incomodaram profundamente. Marcel Duchamp pode ter sido inspiração para alguns destes artistas por ter sido um mestre em chocar. Até hoje se discute se a obra dele é ou não arte. Muita gente tenta passar coisas estranhas e mesmo lixo por arte depois disso. Mas o quanto do concelho destes imitadores é ou não válido? Em seu tempo ele fez a sociedade refletir sobre o conceito de arte, de belo de cotidiano. Sobre o que a arte de hoje te dá refletir ? Mesmo a arte sacra tem sua cota de cenas chocantespor que a nudez infantil aqui é menos incomoda ? Porque sexualizamos certas obras e outras não?há menos violência aqui que em uma obra que retrate o abuso infantil ou a morte na favela ? Como diferenciar a violência que agride e a que tem o objetivo de incomodar para mudar uma situação de violência ?

Particularmente não gosto da imagem brutalizada do Cristo crucificado, para mim ele está muito além da figura quebrada que tantos amam expor, ele está para mim na imagem fraterna e radiosa, mas entendo o apelo que muitos sentem por esse tipo de imagem. Muitos sai como o eu do poema de Gregorio de Matos.

Então o que é arte ?

Nem tudo que eu vir por aí vou aplaudir como arte,as todo que me levar a refletir de forma positiva para meu crescimento moral, que tocar meu coração, que me lembrar de amar meu semelhante e respeitar seu espaço eu levarei em consideração.

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Mais do mesmo – Ainda falando de violência contra a mulher sexta-feira, jun 3 2016 

Bom dia!

Eu não gostaria de falar de violência. Sério, preferia falar de ficção, de coisas amenas, de futilidades … mas não me parece possível quando a violência permeia tantos aspectos de nossas vidas que chegamos a achar normal.

A verdade é que tenho pensado muito sobre isso – como sempre digo não me considero feminista – não gosto de rótulos, mas respeito e admiro a luta que quem faz da busca por igualdade e respeito seu objetivo de vida.

Não sendo feminista ainda sou mulher, posso não ter o engajamento para levantar uma bandeira, mas sou qualificada para ficar triste e indignada quando vejo como a sociedade conduz temas como estupro e violência contra a mulher.

Tenho acompanhado o caso da garota que foi estuprada – digo estuprada sim independente do modo como tentem desqualificar o caso, independente dela ter dito sim foi estupro pelo simples fato dela estar drogada.

O que me choca é que seres humanos (não digo apenas homens com o tal pênis no meio das pernas, mas seres humanos no sentido amplo do termo) achem que outro ser humano drogado pode se considerado consciente de suas ações, que achem que sexo desta forma possa proporcionar algum tipo de satisfação.

Quando eu penso em sexo eu penso em respeito mútuo, afinidade, penso em consentimento e prazer mútuo. Não consigo associar sexo a violência como forma de prazer físico e/ou psicológico. E por isso sempre que vejo a forma como o caso tem repercutido o sentimento que me toma não é revolta, mas uma profunda tristeza.

Tristeza por nós enquanto sociedade, e enquanto nação. Como espirita kardecista fui condicionada a acreditar que tudo no universo está em constante evolução, incluindo nós seres humanos e nossas sociedades, e não apenas em evolução intelectual, mas em evolução moral/espiritual. Somos levados a ver este mundo como um mundo de provas e expiações, mas em transição para um mundo regenerador. No entanto o  modo a violência está normalizada e institucionalizada me faz repensar este conceito.

Como podemos ser melhores que os fundamentalistas islâmicos (e terroristas como o grupo ISIS), se achamos normal que uma mulher drogada seja objeto de 30 homens. Independente que ela tenha – neste estado dito sim – como pode um ser humano achar que era lícito usar o corpo dela como mero objeto de prazer. Como podem outros tantos seres humanos verem este tipo de animalidade e dizer que “está tudo bem por causa do passado dela” ???????????

O modo como essa garota está sendo tratada é apenas  a ponta desse iceberg. È o ápice de uma ideologia em que não respeitamos nossos semelhantes, em especial se forem mulheres. Não somos tratadas como cidadãs de segunda classe, mas como pessoas de segunda classe. Sem direito a existir por nós mesmas, sem obrigadas a existir em função dos desejos e necessidades de outro – pai, marido, filho, namorado.

Sendo solteiras não temos direito a dizer não em uma festa, show ou boate, porque presume-se que homens podem sair com os amigos sem qualquer objetivo extra, mas mulheres não. O fato de sairmos à noite parece nos colocar obrigatoriamente a disposição como se fôssemos objetos a espera de ser reivindicados e não pessoas.

Onde está a evolução da sociedade nisto? Será que somos melhores que as pessoas da idade média quando mulheres eram queimadas como bruxas apenas por serem mulheres? Temos mais tecnologia, grandes avanços científicos, mas continuamos tão brutos quanto o homem medieval que tratava as filhas irmãs e esposa como objetos, mercadorias a serem trocadas ou descartadas e não como criaturas tão humanas, dotadas de intelecto, sentimentos e desejos como eles próprios.

Homens e mulheres na nossa sociedade propagam a ideia de que uma vitima de violência sexual é sempre a culpada. Busca-se os antecedentes da vítima apenas para desacreditá-la enquanto os agressores ficam livres para repetir e vão repetir o ato. Não tenham dúvidas disso.

Quando vejo os rumos da nossa sociedade – um misteriosos regidos apenas por homens, uma ideologia que barra a representatividade feminina, o avanço da popularidade de homens como Bolsonaro que fazem apologia (abertamente) ao estupro e a misoginia eu acho que é mais fácil de fato não por filhos neste mundo. Apesar de toda a ideologia espirita sobre evolução, resgate das faltas de vidas anteriores é difícil acreditar que o ser humano está de fato tornando-se melhor quando achamos normal que um grupo de pessoas use outro individuo como se fosse um mero objeto e quando a sociedade aplaude isso.

Estupro não é só sobre os direitos das mulheres, é sobre o caráter humano. Sobre respeitar o semelhante, ou se afirmar sobre ele. Uma pessoa que precisa dominar o outro para satisfazer a si mesma ainda está presa à barbárie, ainda é uma alma embrutecida escondido sob o verniz da sociedade. É o tipo de coisa que se esperaria dos escravocratas da época do império quando o Brasil era resumidamente escravagista e pessoas eram posses tanto quanto cavalos e carroças, sujeitos aos maus tratos de seus senhores apenas por um prazer cruel e bárbaro.

Estupro está não na afirmação da masculinidade, porque um homem seguro de si não precisa forçar uma mulher, ele conquista. A ideia de ter prazer no sofrimento alheio é muito mais prova de fraqueza, de necessidade de sentir-se mais do que realmente é, é prova de deturpação de caráter. Um homem que estupra é um homem capaz de torturar qualquer um (homem, mulher ou criança) que ele julgue mais fraco, ou de condição inferior.

O fato de praticar um estupro coletivo implica no fato de juntos estes indivíduos julgarem-se superiores que as leis que devem reger a sociedade, julgarem-se juntos como melhores que qualquer noção de respeito ao próximo visto que em grupo tem força para fazer o que não seriam capazes individualmente. Pense que outros crimes eles podem ainda praticar juntos, ao ter a certeza da impunidade? E o modo como permitimos que saiam impunes valida total e completamente estas premissas.

Mais chocante é que estamos ensinando aos nossos jovens o seguinte.

  1. Que sexo com uma mulher que esteja dopada não é estupro.
  2. Que a vítima é sempre culpada. (sempre haverá uma justificativa para o comportamento animalesco do homem – pode ser a roupa que ela estava usando, o fato de ter passado por tal lugar tal hora, ter nascido…)
  3. Não se espera que homens refreiem seus desejos e instintos.
  4. Mulheres são como objetos, você pode possuir, abusar, ferir e até jogar fora para pegar outro modelo ou um modelo mais novo.

E diante destas ideias queremos uma sociedade mais honesta e menos violenta? Pouco provável que se consiga acabar com corrupção em um país em que não se ensina que respeito não é seletivo, ele deve abranger a todos. Que regras não são para alguns cumprirem, mas sim para todos. Temos que ensinar que é errado agredir o semelhante seja ele hetero ou homossexual, homem ou mulher, branco ou negro,  porque são todos seres humanos na mesma medida. E que beijar a força, passar a mão, encochar no coletivo, são agressões tanto quanto um tapa, um soco, um murro, um chute… e até pior que isso.

Devemos parar de ensinar que uma mulher não deve reagir a uma agressão. Devemos ensinar que uma menina deve se defender quando for tocada contra a vontade, que pode gritar e se defender sim. Que não é culpa dela, que porco, nojento, criminoso é agressor e não a vitima.

Com todos estes comportamentos que nos objetificam e nos desqualificam como seres humanos por sermos mulheres e que tiram de nós o direito sobre nossos corpos sinto que não somos melhores que povos ditos primitivos, somos piores. Temos o conhecimento, mas o ignoramos, temos tecnologia e nos escondemos atrás dela para repetir os mesmo comportamentos que um homem medieval. Recitamos valores éticos e morais, nas não os aplicamos.

Iniciando a leitura de – A Gênese – Allan Kardec – PARTE III segunda-feira, jan 11 2016 

Demorei a retornar ao assunto, mas cá estou eu com o item 60.

Por que logo este item?

Tenho visto desde a minha adolescência as pessoas buscarem a ajuda espiritual para problemas pessoas, amorosos, financeiros esperando respostas claras e imediatas. “Levante a mão quem nunca quis uma resposta mágica para solucionar aquele problema que não deixa dormir a noite? Ou saber se “carinha” volta com rabo entre as pernas e flores?”

Somos movidos por nossos desejos e angustias imediatos, e estes desejos e angustias são moldados por aquilo que consideramos mais importante. Mas não existe resposta mágica para solucionar nossos problemas individuais ou coletivos. Os espíritos nada mais são que pessoas, mas sem a carne para interagir com o mundo. Assim como há todo tipo de pessoas há todo tipo de espíritos. Alguns ainda presos a mágoas e ódios ou paixões e também há os que empenha-se em fazer o bem sendo de diferentes graus evolutivos alguns exatamente como nós e outros mais próximos da luz de cristo.

Estes espíritos “não se manifestam para libertar do estudo e das pesquisas o homem, nem para lhe transmitirem, inteiramente pronta, nenhuma ciência.”

60.  Os Espíritos não se manifestam para libertar do estudo e das pesquisas o homem, nem para lhe transmitirem, inteiramente pronta, nenhuma ciência. Com relação ao  que o homem pode achar por si mesmo, eles o deixam entregue às suas próprias forças. Isso sabemo­no hoje perfeitamente os espíritas. De há muito, a experiência há demonstrado ser errôneo atribuir­ se aos Espíritos todo o saber e toda a sabedoria e supor se que baste a quem quer que seja dirigir­ se ao  primeiro Espírito que se apresente para conhecer todas as coisas. Saídos da Humanidade, eles constituem uma de suas faces. Assim como na Terra, no plano invisível também os há superiores e vulgares; muitos, pois, que, científica e filosoficamente, sabem menos do que certos homens; eles dizem o que sabem, nem mais, nem menos. Do mesmo  modo que os homens, os Espíritos mais adiantados podem instruir­nos sobre maior  porção de coisas, dar­nos opiniões mais judiciosas, do que os atrasados. Pedir o  homem conselhos aos Espíritos não  é entrar em entendimento  com potências sobrenaturais; é tratar com seus iguais, com aqueles mesmos a quem ele se dirigiria neste mundo; a seus parentes, seus amigos, ou a indivíduos mais esclarecidos do  que ele. Disto é que importa se convençam todos e é o que ignoram os que, não  tendo estudado o Espiritismo, fazem ideia completamente falsa da natureza do  mundo dos Espíritos e das relações com o além ­túmulo.

 

O que acham a cerca do item?

Iniciando a leitura de – A Gênese – Allan Kardec – PARTE II segunda-feira, dez 14 2015 

Normalmente sou uma leitora rápida e compulsiva, mas isto vale para textos de ficção, quando se trata de teoria ou filosofia sou uma leitora mais lenta, menos compulsiva, talvez porque o fervilhar de pensamentos seja realmente intenso e não seja fácil tirar conclusões quando filosofia e fé se encontram.

Continuo no Cap 1

59. Os grandes Espíritos encarnados são, sem contradita, individualidades poderosas, mas de ação restrita e de lenta propagação. Viesse um só dentre eles,  embora fosse Elias ou Moisés, Sócrates ou Platão, revelar, nos tempos modernos, aos homens, as condições do mundo espiritual, quem provaria a veracidade das suas asserções, nesta época de cepticismo? Não o tomariam por sonhador ou  utopista? Mesmo que fosse verdade absoluta o que dissesse, séculos se escoariam antes que as massas humanas lhe aceitassem as idéias. Deus, em sua sabedoria, não quis que assim acontecesse; quis que o ensino fosse dado pelos próprios Espíritos, não por  encarnados, a fim de que aqueles convencessem da sua existência a estes últimos e quis que isso ocorresse por toda a Terra simultaneamente, quer para que o ensino se propagasse com maior rapidez, quer para que, coincidindo em toda parte, constituísse uma prova da verdade, tendo assim cada um o meio de convencer­se a si próprio.

60. Os Espíritos não se manifestam para libertar do estudo e das pesquisas o homem, nem para lhe transmitirem, inteiramente pronta, nenhuma ciência. Com relação ao  que o homem pode achar por si mesmo, eles o deixam entregue às suas próprias forças. Isso sabem­no hoje perfeitamente os espíritas. De há muito, a experiência há demonstrado ser errôneo atribuir­se aos Espíritos todo o saber e toda a sabedoria e supor­se que baste a quem quer que seja dirigir­ se ao  primeiro Espírito que se apresente para conhecer todas as coisas. Saídos da Humanidade, eles constituem uma de suas faces. Assim como na Terra, no plano invisível também os há superiores e vulgares; muitos, pois, que, científica e filosoficamente, sabem menos do que certos homens; eles dizem o que sabem, nem mais, nem menos. Do mesmo  modo que os homens, os Espíritos mais adiantados podem instruir­nos sobre maior  porção de coisas, dar­nos opiniões mais judiciosas, do que os atrasados. Pedir o  homem conselhos aos Espíritos não  é entrar em entendimento  com potências sobrenaturais; é tratar com seus iguais, com aqueles mesmos a quem ele se dirigiria neste mundo; a seus parentes, seus amigos, ou a indivíduos mais esclarecidos do  que ele. Disto é que importa se convençam todos e é o que ignoram os que, não  tendo estudado o Espiritismo, fazem idéia completamente falsa da natureza do  mundo dos Espíritos e das relações com o além­ túmulo.

Quanto mais olho a minha volta, mas eu sinto que nós gostamos muito mais de ouvir a nossa própria voz que a voz do outro. Lembro que na faculdade li um livro chamado Auto de Fé de Elias Canetti e muito me impressionava o quanto os personagens digladiavam-se com o mundo vendo apenas o que queriam ver, e ouvindo na voz dos outros apenas o eco de si mesmos. Lembro de ter escrito uma mini monografia falando da “megalomania da personagem principal” mas revendo hoje a teoria – O livro foi baseado em Kant – Vejo que não era tão fantasioso assim e expressa bem que diz o parágrafo a cima. Gostamos tanto nossa própria voz que transformamos os cultos religiosos em ecos de nós mesmos. Muitos de nós escolhem a religião, não em busca de mudança interior, mas em busca de algo em que apoiar as próprias tendências. Homens/mulheres que não gostam de assumir a responsabilidade de seus próprios atos verão nos espíritos obsessores ou na figura do diabo a desculpa para esquivarem-se de eventuais culpas, e dirão “Ele me fez fazer isso”. Para estes homens o Cristo vivo e reencarnado poderia gritar as verdades divinas em praça pública que ouviriam apenas a parte que lhes conviesse.

Não culpo as religiões pela cegueira do homem, mas a vaidade do homem como entrave para o verdadeiro sentido das religiões.

Mesmo com o plano espiritual manifestando-se de diversas maneiras em lugares diferentes do mundo, mesmo entre os espíritas e espiritualistas é difícil haver um consenso. Isso por que a reflexão cientifica e a fé humana ainda não estão em harmonia, estão caminhando ainda. Tudo que nos é dado e mostrado está sujeito a interpretação. Como o físico que tenta decifrar a mecânica do universo nós tentamos decifrar a mecânica da vida bem vivida . Se os preceitos do Cristo são universais e sobrevivem ao tempo no cerne das religiões cristãs, a forma como escolhemos entender varia. Assim como varia o modo como escolhemos entender os fenômenos espirituais.

Nossos olhos são janelas muito diversas com muitos pontos de vista para o mesmo ponto no universo. Já estive em centros kardecistas e umbandistas e vi faces diferentes da mesma centelha divina. Nomes diferentes para os mesmos tratamentos, formas diferentes de lidar com a mesma doença da alma. Não achei um uma fosse melhor ou mas certa que a outra, como não acho que a oração evangélica seja melhor ou pior que a católica ou a espirita. É mais como se uma grande verdade estivesse bem debaixo do nosso nariz, mas por mais que forcemos a visão vislumbramos apenas uma parte. A parte que nós queremos, que cabe na nossa necessidade pessoal , e que muitas vezes não afronta os nossos defeitos mais básicos, porque quando afronta sentimo-nos incomodados e desconfortáveis por precisar mudar.

Mudar é sempre uma tarefa inglória e cheia de percalços. Por mais que eu aceite a forma como a doutrina espirita foi sintetizada, não consigo deixar o sentimento de que a verdade sobre o plano espiritual só virá no final da minha jornada, e enquanto eu viver tudo que eu tenho é a escolha, escolha de em que acreditar.

Acho que isso resume o presente do livre arbítrio. Nós, no fundo de nossos corações, independente de imposições, mesmo as mais bárbaras como as dos regimes islâmicos mais radicais, nós escolhemos acreditar o não, e acreditar não está nas palavras, e as vezes nem mesmo nas ações, mas naquela inquietações que nos perseguem nas horas silenciosas ou nas grandes decisões que nos agitam o espírito. Nestes momentos a única certeza que tenho é que a vida não começa e nem acaba nesta existência, e que toda ação produz uma reação em nós mesmos e no mundo que nos cerca. Todo o resto é escolha.

Neste sentido Platão e sua teoria da caverna nunca foram tão atuais – Vivemos no impasse sem saber que o mundo real é o da matéria ou o do espírito, qual é a ilusão e qual a existência mais plena, a que temos aqui com as limitações, dores e prazeres físicos, afetos e paixões ou a que independe do corpo que diz-se ilimitada, mas é limitada a não ter a sensações do corpo ( o que torna inconcebível para a nossa mente que reconhece o mundo por meio das sensações)

Creio eu que por concebermos o mundo por meio das sensações do corpo que crer na existência espiritual seja tão difícil para a maioria de nós.  Como conceber uma existência sem frio, sem calor, sem desejo, sem prazer sexual, sem fome se todas estas coisas nos definem? Como acreditar em um mundo invisível se nos escapa ao tato?

Iniciando a leitura de – A Gênese – Allan Kardec quarta-feira, dez 9 2015 

Antes de tecer comentários gostaria de compartilhar o item 36 – Do capitulo caráter da revelação espirita.

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Gênesis significa origem, criação 

O item 36 me chamou a atenção por se uma afronta a todo conceito material de orgulho e derruba a falsa ideia de que um ser humano teria o direito de brutalizar ou dominar outro seja por raça, posição social ou sexo.

 

36. Com a reencarnação, desaparecem os preconceitos de raças e de castas, pois o  mesmo Espírito pode tornar a nascer rico ou pobre, capitalista ou proletário, chefe ou  subordinado, livre ou  escravo, homem ou  mulher. De todos os argumentos invocados contra a injustiça da servidão e da escravidão, contra a sujeição da mulher  à lei do mais forte, nenhum há que prime, em lógica, ao  fato material da reencarnação. Se, pois, a reencarnação funda numa lei da Natureza o princípio da fraternidade universal, também funda na mesma lei o da igualdade dos direitos sociais e, por conseguinte, o da liberdade. 

Lembro que quando eu era criança, me incomodava como uma pessoa podia ter nascido e morrido escrava ou ter sido brutalizada sem nunca ter chance de defesa – nossos livros de história estão cheios destes relatos, e assim também nossos jornais, em especial os sensacionalistas que mostram casos que nos deixam com vergonha do gênero humano.

Pensar que uma vida passada pode ter sido a causa não alivia a tristeza, e

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Pensar que o universo é vasto vivo e pulsante faz mais sentido que imaginar o vácuo frio. Um universo sem Deus seria um lugar imensamente solitário. 

pensar que o algoz pode em tempo futuro ser a vítima deixa um pífio sentimento de revanchismo. Mas pensar nisso como um ciclo em que ambas as partes podem romper os lastros do sofrimento faz pensar que talvez a humanidade possa sim chegar a ter dias menos negros.

Penso em casos como o “Estado Islâmico” e todas as suas atrocidades, e como seria injusto suas vítimas terem apenas esta existência de dor e depois nada. Ou nos algozes se esta fosse sua única existência – condenados eternamente a sofrer pelos crimes de uma vida (ideia de inferno) ou condenados ao vazio da inexistência (para quem não crê na vida após a morte). Almas criadas por um Deus perfeito e onisciente devem ter algum modo de reconciliar-se com as leis do pai, como uma criança que faz algo terrível no começo da vida, mas cresce e amadurece e torna-se melhor quando adulto por ter aprendido com o erro. Penso em todas as vidas ceifadas antes de ter qualquer chance de fazer bem ou mal por serem jovens demais, levadas por bombas, tiros, por serem molestas até o limite. Deus permitiria isso a um inocente? Um paraíso mítico repara uma existência perdida.

Aliás a ideia de paraíso me dá tédio e assemelha-se a inexistência. Para mim existir e ser produtivo de um ou outro modo, conviver, conhecer, aprender. Isso só me parece possível se estamos neste plano de existência, sujeito aos sentidos do corpo com suas benesses e tentações físicas e morais. A estrada para a fraternidade universal foi o caminho que falou mais alto ao meu coração e me fez mais sentido que outras opções de crenças, pois não sou capaz de crer na maldade como algo absoluto, e não sou capaz de aceitar que um ser humano vá sempre subjugar outro ser humano usando de desculpas como cor, sexo, classe social ou mesmo crença religiosa.

Gostaria de ver outras opiniões para que isto não se torne um monólogo.

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